Pressão dos Bolsonaros leva EUA a classificar PCC e CV como terroristas, revela NY Times

A decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, anunciada nesta quinta-feira (28/5), repercutiu fortemente na imprensa internacional, com destaque para a revelação do The New York Times de que a medida foi tomada “após meses de lobby agressivo dos filhos do ex-presidente preso, Jair Bolsonaro, um aliado próximo de Trump”. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que CV e PCC “são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil” e que serão designadas como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho.

O anúncio ocorre dois dias após o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado, Marco Rubio, e na mesma semana em que ele pediu que o presidente Donald Trump designasse as facções brasileiras como organizações terroristas, durante encontro na Casa Branca. “Após nova pressão dos Bolsonaros, EUA classificam gangues brasileiras como grupos terroristas”, foi a manchete do The New York Times para uma reportagem sobre o assunto.

Pressão familiar e tensão diplomática

Segundo o jornal americano, a decisão “ameaça trazer tensão novamente às relações entre as duas maiores nações do Hemisfério Ocidental, que só recentemente começaram a reparar suas relações”. A reportagem destaca que “isso gerou preocupação entre autoridades brasileiras de que os EUA possam estar tentando influenciar as próximas eleições, ajudando um novo Bolsonaro. Flávio Bolsonaro afirmou que desafiará nas eleições de outubro o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de esquerda, a quem acusa de ser leniente com o crime.”

A medida surge poucos dias depois de dois dos filhos de Bolsonaro, um dos quais planeja se candidatar à presidência ainda este ano, terem visitado Trump na Casa Branca. O governo Trump já designou mais de uma dúzia de gangues latino-americanas como organizações terroristas, dando poderes extras de sanções econômicas contra grupos ou entidades ligadas a essas gangues.

Impactos econômicos e riscos ao sistema financeiro

O The New York Times alerta que “a designação pelos EUA pode causar grandes dores de cabeça para o setor bancário, pois pode permitir que os EUA imponham sanções a instituições brasileiras que possam ter feito negócios com as quadrilhas”. Especialistas afirmam que isso representa um risco significativo, pois as quadrilhas brasileiras conseguiram se infiltrar na economia formal, acumulando participações na distribuição de gás, no mercado imobiliário e em commodities.

A decisão do Departamento de Estado, anunciada por Marco Rubio, coloca o Brasil em uma posição delicada no cenário internacional, enquanto o país se prepara para eleições presidenciais em outubro. A classificação de PCC e CV como terroristas estrangeiros pode ter implicações profundas nas relações bilaterais e na estabilidade financeira, com potenciais sanções que afetariam não apenas as facções, mas também empresas e instituições que, direta ou indiretamente, tenham vínculos com o crime organizado.

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