Contrato de Wi-Fi em São Paulo vira alvo da Polícia Civil; aliados de Nunes veem fogo cruzado

Às vésperas das eleições municipais, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) enfrenta um novo capítulo de turbulência política com a abertura de uma investigação da Polícia Civil sobre o contrato de fornecimento de Wi-Fi na capital paulista. Aliados do chefe do Executivo municipal classificam a apuração como ‘fogo cruzado’, sugerindo que o timing da ação policial, a menos de dois meses do pleito, carrega motivações políticas. O caso envolve a produtora ‘Dark Horse’, responsável por serviços de conectividade em espaços públicos, e já mobiliza diferentes esferas do poder público e da oposição.

A investigação, revelada pelo portal Folha de S.Paulo em 1º de junho de 2026, foca em possíveis irregularidades na licitação e execução do contrato de internet sem fio, que abrange praças, parques e equipamentos culturais da cidade. A Polícia Civil cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados à produtora e a servidores municipais, em um movimento que ocorre em meio à escalada da campanha eleitoral. O valor do contrato, estimado em R$ 12 milhões anuais, e a abrangência do serviço — que atende milhões de paulistanos — colocam o caso sob os holofotes da opinião pública.

Panorama político e reações

O episódio insere-se em um contexto de acirramento político na capital paulista, onde Nunes busca a reeleição em uma disputa que inclui nomes como Guilherme Boulos (PSOL) e Tabata Amaral (PSB). A oposição já sinaliza que usará a investigação para questionar a transparência da gestão municipal, enquanto a base aliada tenta minimizar o impacto, argumentando que a apuração é ‘técnica’ e não deve ser politizada. O Ministério Público de São Paulo também acompanha o caso, o que pode ampliar as consequências jurídicas e políticas para a administração.

A produtora ‘Dark Horse’, conhecida por projetos de tecnologia e entretenimento, nega irregularidades e afirma que todos os contratos foram firmados dentro da legalidade. Em nota, a empresa declarou que ‘colabora integralmente com as autoridades’ e que ‘confia na apuração para esclarecer os fatos’. Já a Prefeitura de São Paulo, por meio de sua assessoria, informou que ‘não comenta investigações em andamento’, mas que ‘reitera seu compromisso com a transparência e a legalidade dos atos administrativos’.

Especialistas em direito público ouvidos pela reportagem destacam que, independentemente do desfecho, o caso já gera desgaste para a gestão Nunes em um momento crítico. ‘A proximidade com as eleições transforma qualquer investigação em munição política, especialmente quando envolve contratos de grande visibilidade como o Wi-Fi público’, avalia o cientista político Carlos Melo, do Insper. Para ele, a situação reforça a necessidade de maior rigor na fiscalização de parcerias público-privadas.

Enquanto isso, a população de São Paulo acompanha o desenrolar dos fatos, que podem influenciar o debate sobre gestão urbana e transparência. O contrato de Wi-Fi, que deveria ser um serviço de inclusão digital, tornou-se mais um campo de batalha na já acirrada corrida eleitoral da maior cidade do país.

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