Uma operação da Polícia Civil de São Paulo contra a produtora do filme Dark Horse, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, e contra a Prefeitura de São Paulo gerou forte reação política nesta segunda-feira (1º). O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a ação pode configurar uma “perseguição estatal” com o objetivo de influenciar o resultado das eleições de 2026. A declaração foi feita após a divulgação de que a produtora responsável pelo longa foi alvo de busca e apreensão, em um movimento que reacende o debate sobre o uso do aparato policial para fins eleitorais.
A operação, deflagrada na última semana, mirou documentos e equipamentos da produtora do filme Dark Horse, que retrata a ascensão política de Jair Bolsonaro. Segundo informações oficiais, a investigação apura possíveis irregularidades em contratos firmados entre a produtora e a Prefeitura de São Paulo, atualmente sob gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A ação policial foi autorizada pela Justiça paulista e cumpre mandados em endereços ligados à produtora e ao município. Até o momento, a Polícia Civil não detalhou as suspeitas específicas, mas fontes internas indicam que o foco está em supostas fraudes em licitações e desvio de recursos públicos.
Reações e acusações de perseguição
Em pronunciamento nas redes sociais, Flávio Bolsonaro classificou a operação como “mais um capítulo da perseguição estatal contra a direita no Brasil”. Ele argumentou que a ação, a menos de um ano das eleições presidenciais, tem “claro viés eleitoral” e visa desgastar a imagem de seu pai, Jair Bolsonaro, que lidera as pesquisas de intenção de voto para 2026. “Não é coincidência que isso ocorra agora. Querem usar a máquina pública para influenciar o pleito”, declarou o senador, que é um dos principais articuladores da campanha bolsonarista.
A Prefeitura de São Paulo, por meio de nota, afirmou que “colabora integralmente com as investigações” e que “não há qualquer indício de irregularidade nos contratos firmados”. Já a produtora do filme Dark Horse negou as acusações e disse que a operação “viola a liberdade de expressão e a produção cultural”. O caso ganhou repercussão nacional e expõe as tensões entre o governo estadual de Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Bolsonaro, e o Judiciário paulista, que tem sido alvo de críticas de setores da direita.
Panorama político e impacto eleitoral
A operação ocorre em um momento de acirramento da disputa política no Brasil. Com as eleições de 2026 se aproximando, o campo bolsonarista tem denunciado repetidamente o que chama de “lawfare” — uso do sistema judicial para perseguir adversários políticos. Por outro lado, setores da esquerda e do centro defendem que as investigações são legítimas e necessárias para combater a corrupção. O filme Dark Horse, que estreou em festivais internacionais, é visto como uma peça de propaganda política por críticos, enquanto apoiadores o consideram um registro histórico.
Especialistas em ciência política apontam que o episódio pode polarizar ainda mais o debate público. “A acusação de perseguição estatal é uma estratégia comum em campanhas eleitorais, mas precisa ser analisada com cautela. Se houver provas de irregularidades, a operação é justificada; caso contrário, pode ser vista como interferência”, avalia o cientista político Carlos Melo, do Insper. A Polícia Civil de São Paulo não se manifestou sobre as declarações de Flávio Bolsonaro, mas fontes internas garantem que a investigação segue critérios técnicos.
O caso também coloca em evidência a relação entre o governo federal, sob Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o estado de São Paulo, governado por um aliado de Bolsonaro. A operação foi conduzida pela Polícia Civil, órgão estadual, o que reduz a possibilidade de interferência direta do Planalto, mas não elimina as suspeitas de motivação política. Enquanto isso, a campanha de Flávio Bolsonaro promete usar o episódio como bandeira para mobilizar a base conservadora.
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