Alckmin critica clã Bolsonaro por usar terrorismo das facções para desviar foco do Caso Master

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), criticou nesta sexta-feira (29) integrantes da família Bolsonaro após a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em entrevista em Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo, Alckmin afirmou que o assunto estaria sendo usado para desviar o foco de outro tema: o Caso Master, que envolve corrupção e sonegação de tributos. A declaração foi dada após ser questionado pela repórter Cíntia Garcia, da TV Vanguarda.

“O que lamento nesse episódio é que, infelizmente, membros do clã Bolsonaro pensam mais em si do que no país. Ficam gerando factoides para desviar a atenção do caso Master, que é gravíssimo do ponto de vista de corrupção e sonegação de tributos”, declarou Alckmin. A crítica ocorre em meio a um cenário político marcado por tensões entre o governo federal e a oposição, que busca capitalizar a classificação das facções como terroristas para reforçar discursos de segurança pública.

Impactos econômicos e diplomáticos

Ainda segundo o vice-presidente, a classificação das facções como organizações terroristas pode trazer impactos negativos ao Brasil. “Isso é ruim para o Brasil. Pode ter consequência no sistema financeiro, na economia, não vai resolver nada em termos de combate ao crime e pode prejudicar a economia”, afirmou. A decisão dos EUA ocorre em um momento de fragilidade nas relações bilaterais, com o governo brasileiro buscando equilibrar a cooperação internacional com a soberania nacional.

Combate ao crime organizado

Alckmin destacou que o combate ao crime organizado já vem sendo realizado pelo Brasil por meio de operações e mudanças na legislação. “O combate ao crime organizado é feito por terra, mar e água. O Congresso aprovou lei antifacção, novos crimes foram listados, aumento das penas para o crime organizado e dificuldade da progressão penitenciária”, afirmou. O vice-presidente também mencionou operações recentes contra esquemas de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, como a Operação Carbono Oculto, com participação da Polícia Federal e Receita Federal, que resultou em bilhões de reais em sonegação em combustível e lavagem de dinheiro. “Ontem foi feito um prolongamento dela, com participação do Ministério Público, Polícia Civil e Gaeco. É um trabalho permanente”, disse.

Alckmin cumpriu agenda no Vale do Paraíba e Litoral Norte nesta sexta-feira para a entrega de veículos destinados a municípios das duas regiões por meio do Novo PAC Saúde. A visita ocorre em um contexto de disputa política acirrada, com a oposição tentando usar a classificação das facções para pressionar o governo, enquanto o Palácio do Planalto busca manter o foco em pautas econômicas e sociais.

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