O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) criticou nesta sexta-feira (29) a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, afirmando que a medida do presidente Donald Trump “banaliza o conceito de terrorismo” e defendendo que o combate às facções seja conduzido pelo Estado brasileiro por meio dos mecanismos previstos na Constituição e na legislação nacional. A declaração ocorreu durante evento promovido pelo Lide, grupo de líderes empresariais fundado pelo ex-governador João Doria, em São Paulo, e foi registrada pelo portal g1.
Pacheco, que presidiu o Senado por quatro anos, rejeitou a possibilidade de que a classificação possa servir de justificativa para qualquer tipo de intervenção estrangeira no país. “O Estado brasileiro é um Estado soberano”, disse. Segundo ele, organizações como PCC e CV têm como objetivo principal a obtenção de lucro por meio de atividades criminosas, o que as diferencia de grupos enquadrados na definição tradicional de terrorismo. “Acho que é uma decisão equivocada dos Estados Unidos da América, e caberá ao Ministério das Relações Exteriores fazer essa tratativa com os EUA e com outros países que podem nos ajudar a combater as organizações criminosas. Essa classificação não é necessariamente uma ajuda”, afirmou.
Contexto da decisão e articulação política
O posicionamento de Pacheco ocorre um dia após o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciar que pretende incluir as duas facções brasileiras na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho. O anúncio foi feito após encontros do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente norte-americano, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio, que se manifestou favoravelmente à medida. A articulação de Flávio Bolsonaro reforça a polarização política em torno do tema, com setores da oposição apoiando a classificação como forma de pressionar o governo brasileiro, enquanto Pacheco e outros líderes do PSB e do centrão veem risco de interferência externa.
O evento aconteceu na Casa Lide, localizada em um prédio na Avenida Faria Lima, em São Paulo. Também participaram o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), relator do projeto de regulamentação da inteligência artificial na Câmara dos Deputados, e a deputada Adriana Ventura (Novo-SP). Os parlamentares integraram painéis sobre tecnologia e inovação, mas o foco do debate foi a decisão dos EUA e seus impactos na política externa brasileira.
Panorama político e reações
A classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA insere-se em um contexto de crescente pressão internacional sobre o crime organizado no Brasil, mas também levanta preocupações sobre a soberania nacional. Enquanto o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não se manifestou oficialmente, a crítica de Pacheco ecoa a posição de parte do Congresso, que defende que o combate às facções deve ser feito com base na legislação brasileira, sem ingerência externa. A medida também pode afetar as relações bilaterais, especialmente em áreas como cooperação policial e financeira, já que a classificação permite aos EUA bloquear ativos e processar criminalmente membros das organizações.
Durante sua fala ao público, Rodrigo Pacheco voltou a afirmar que 2027 — quando termina o mandato dele no Senado — marcará o encerramento da trajetória política dele. Mais tarde, em entrevista a jornalistas, disse que a decisão é definitiva e descartou a possibilidade de disputar o governo de Minas Gerais ou de ser indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O senador afirmou que está plenamente realizado após 12 anos de vida pública. “Fui deputado federal e senador, presidente do Senado e do Congresso Nacional por quatro anos. Tenho uma vida plenamente realizada”, concluiu.
Fonte: ver noticia original

