A conta de luz dos brasileiros seguirá mais cara em junho, com a manutenção da bandeira amarela pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A medida, anunciada nesta terça-feira (26), impõe uma cobrança extra de R$ 1,88 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, devido à redução das chuvas e ao maior uso de termelétricas, que têm custo mais elevado. A decisão afeta diretamente milhões de consumidores em todo o país, em um momento de pressão inflacionária e recuperação econômica.
A bandeira amarela foi acionada pela primeira vez em abril deste ano, após um período de bandeira verde, que vigorou desde abril de 2022. A mudança reflete o agravamento das condições hidrológicas, com reservatórios das hidrelétricas em níveis críticos em várias regiões, especialmente no Sudeste e Centro-Oeste, responsáveis por cerca de 70% da geração hídrica do país. A falta de chuvas obrigou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a acionar usinas termelétricas, que geram energia a um custo mais alto e com maior emissão de poluentes.
Impacto no bolso do consumidor
O valor adicional de R$ 1,88 por 100 kWh representa um aumento de cerca de 3% a 5% na conta de luz residencial, dependendo do consumo médio mensal. Para uma família que consome 200 kWh por mês, o custo extra será de R$ 3,76. Embora pareça pequeno, o impacto acumulado ao longo dos meses pode pesar no orçamento, especialmente para as classes de menor renda, que já enfrentam alta nos preços de alimentos e combustíveis. A Aneel informou que a bandeira amarela será mantida até que as condições hidrológicas melhorem, o que pode levar meses, segundo especialistas.
A decisão da Aneel ocorre em um contexto de crise hídrica que afeta não apenas o setor elétrico, mas também a agricultura e o abastecimento de água em várias cidades. O governo federal, por meio do Ministério de Minas e Energia, tem monitorado a situação e pode adotar medidas adicionais, como a redução de impostos sobre a energia ou a ampliação de programas de eficiência energética. No entanto, até o momento, não há anúncios concretos.
Panorama político e econômico
A manutenção da bandeira amarela ocorre em um momento de tensão política no Congresso Nacional, onde tramitam projetos de reforma tributária e de redução de encargos setoriais, como a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Parlamentares de diferentes partidos, como o PT, o PL e o PSDB, têm criticado a gestão do setor elétrico e cobrado ações mais efetivas para evitar novos aumentos. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), já sinalizou que pode pautar propostas para aliviar o custo da energia, mas as negociações estão travadas por divergências políticas.
Enquanto isso, o consumidor brasileiro segue pagando a conta. A Aneel, autarquia vinculada ao governo federal, reforçou que a bandeira amarela é um mecanismo de sinalização de custos, e não uma medida de arrecadação. O valor extra é repassado integralmente às distribuidoras de energia, que o utilizam para cobrir os custos mais altos da geração termelétrica. A expectativa é que, com a chegada do período de chuvas mais intensas, a partir de outubro, a bandeira possa voltar ao verde, mas isso depende de fatores climáticos imprevisíveis.
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