O senador Sergio Moro (PL) lançou nesta sexta-feira (29), em Curitiba, sua pré-candidatura ao Governo do Paraná em um evento que consolidou a aproximação do ex-ministro da Justiça com a família Bolsonaro. Ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Moro atacou duramente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e classificou como ‘extraordinário’ o decreto do presidente dos EUA, Donald Trump, que classifica as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. O gesto ocorre em meio a um cenário político polarizado, onde a aliança entre setores da direita e a pauta de segurança pública ganha destaque, enquanto o governo Lula critica a articulação de Bolsonaro nos EUA e alerta para riscos ao sistema PIX com a medida.
Durante o discurso, Moro afirmou que a decisão de Trump representa um ‘marco no combate ao crime organizado’ e que o Brasil deveria seguir o exemplo norte-americano. ‘É uma medida extraordinária que fortalece a cooperação internacional contra o narcotráfico e a violência. Enquanto o governo Lula se preocupa em proteger criminosos, nós estamos do lado da lei e da ordem’, declarou o senador, que também criticou a gestão federal na segurança pública. O evento, realizado na capital paranaense, contou com a presença de lideranças do PL e de apoiadores, reforçando a estratégia de Moro de se alinhar ao bolsonarismo para viabilizar sua candidatura ao Palácio Iguaçu.
Panorama político e reações
A pré-candidatura de Moro no Paraná insere-se em um contexto de disputa acirrada pelo eleitorado conservador. O apoio explícito de Flávio Bolsonaro sinaliza a tentativa de unificar a direita em torno de um nome que já foi adversário político do clã Bolsonaro, especialmente após a saída de Moro do governo em 2020. A aproximação, no entanto, não é isenta de críticas internas: setores do bolsonarismo mais radical ainda veem com desconfiança o ex-juiz da Lava Jato. Paralelamente, o governo Lula, por meio de interlocutores, já manifestou preocupação com os efeitos da classificação de facções como terroristas pelos EUA, apontando riscos para o sistema financeiro nacional, incluindo o PIX, que poderia ser alvo de sanções ou bloqueios internacionais. A medida de Trump, anunciada em maio, também gerou reações no Congresso, onde deputados da base governista questionam a soberania brasileira na definição de políticas de segurança.
O ataque de Moro a Lula, por sua vez, reflete a estratégia de polarização que deve marcar a campanha de 2026. O senador paranaense acusou o petista de ‘conivência com o crime organizado’ e de ‘abandonar a segurança pública’, ecoando discursos da oposição. Enquanto isso, o governo federal reforça a narrativa de que a gestão de Lula tem reduzido a violência em estados estratégicos e que a classificação de facções como terroristas é uma ‘ingerência externa’ que pode prejudicar a economia digital. A disputa promete aquecer o debate sobre soberania, combate ao crime e alianças políticas nos próximos meses.
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