O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), terceiro mais votado entre os senadores eleitos em 2018, com expressivos 4,38 milhões de votos, chega ao seu último ano de mandato sem ter conseguido transformar em lei nenhum projeto de sua autoria. Apesar de ter direcionado sua atuação parlamentar para a área de segurança pública, tema central de sua campanha e de sua base eleitoral, o parlamentar não obteve êxito em ver aprovadas proposições próprias no Congresso Nacional.
O desempenho legislativo de Flávio Bolsonaro contrasta com a expectativa gerada por sua votação histórica. Eleito com a maior votação para o Senado no estado do Rio de Janeiro, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro concentrou seus esforços em projetos voltados ao endurecimento penal, ao armamento civil e à atuação das forças de segurança. No entanto, nenhuma dessas iniciativas avançou até a sanção presidencial.
Foco em segurança sem resultados concretos
Entre os projetos apresentados por Flávio Bolsonaro estavam propostas para ampliar o porte de armas para agentes de segurança, para reduzir a maioridade penal e para criar mecanismos de proteção a policiais. Apesar de terem gerado debates acalorados no plenário e nas comissões, as matérias não conseguiram reunir o apoio necessário para aprovação final. O senador também atuou como relator de projetos de outros parlamentares, mas não obteve êxito em ver aprovadas suas próprias propostas.
O cenário reflete um Congresso Nacional marcado por forte polarização política e por uma agenda legislativa dominada pelo Executivo. Nos últimos anos, a pauta de segurança pública foi frequentemente utilizada como bandeira de campanha, mas encontrou resistência tanto na oposição quanto em setores do próprio governo, que priorizaram medidas econômicas e reformas estruturais.
Panorama político e legado
A situação de Flávio Bolsonaro não é isolada. Outros parlamentares de alta votação também enfrentaram dificuldades para converter capital eleitoral em produção legislativa. O fenômeno evidencia a complexidade do processo legislativo brasileiro, que exige negociação constante e articulação com diferentes forças partidárias. Para o senador, o legado do mandato pode ser medido mais pela atuação em comissões e pela influência nos debates do que pela aprovação de leis próprias.
Com o fim do mandato se aproximando, Flávio Bolsonaro deve buscar a reeleição em 2026, apostando novamente na pauta de segurança e no capital político herdado do pai. No entanto, a ausência de projetos próprios aprovados pode ser usada como argumento por adversários para questionar sua efetividade parlamentar. A informação foi divulgada originalmente pela Folha de S.Paulo em 29 de maio de 2026.
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