Anvisa libera fábrica da Ypê e autoriza venda de produtos fabricados desde abril

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta terça-feira (26), a retomada da produção e a venda de produtos fabricados a partir de abril na unidade da Ypê localizada em São Paulo. A decisão ocorre após a empresa corrigir falhas sanitárias apontadas em inspeções anteriores, mas os itens fabricados até março continuam proibidos para comercialização.

A liberação representa um desfecho parcial para o impasse que envolvia a fábrica paulista, cuja produção foi suspensa em fevereiro após a Anvisa identificar irregularidades nos processos de higiene e controle de qualidade. A Ypê, uma das maiores fabricantes de produtos de limpeza do país, informou que investiu R$ 12 milhões em adequações estruturais e treinamento de funcionários para atender às exigências regulatórias.

O impacto da decisão é significativo para o setor de higiene e limpeza, que enfrenta pressão de demanda desde o início da pandemia. A Ypê responde por cerca de 15% do mercado nacional de detergentes e alvejantes, e a paralisação parcial de sua produção gerou temores de desabastecimento em algumas regiões. Com a liberação, a empresa espera normalizar a distribuição de itens como sabão em pó, amaciante e água sanitária nas próximas semanas.

No entanto, a Anvisa manteve a restrição para os lotes fabricados até março, que deverão ser recolhidos ou destruídos, conforme determinação anterior. A agência informou que análises laboratoriais indicaram a presença de contaminantes microbiológicos em amostras coletadas nesse período, o que motivou a manutenção da proibição. A Ypê afirmou que irá recorrer da decisão para tentar reverter a restrição, argumentando que os testes internos não apontaram riscos à saúde.

O caso ganhou contornos políticos após parlamentares da oposição cobrarem transparência da Anvisa e do Ministério da Saúde sobre os critérios adotados na fiscalização. Em nota, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) elogiou a atuação da agência, mas alertou para a necessidade de reforço na vigilância de grandes indústrias. A Associação Brasileira das Indústrias de Higiene e Limpeza (Abihigiene) defendeu que o caso não deve comprometer a confiança do consumidor no setor.

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