O aumento global dos gastos com inteligência artificial (IA) está impulsionando uma nova onda de valorização de gigantes tecnológicas que marcaram a era das pontocom, como Dell, Nokia, Cisco, Lenovo e Micron. Essas empresas, que perderam espaço após o estouro da bolha da internet no início dos anos 2000 e foram ofuscadas por novas queridinhas do setor, agora vivem um renascimento financeiro impulsionado pela demanda por infraestrutura de IA, segundo análise publicada pela Folha de S.Paulo em 31 de maio de 2026.
O fenômeno não se limita a um único personagem político ou empresarial: reflete uma mudança estrutural no mercado de tecnologia, onde a corrida por processamento de dados, armazenamento e conectividade para sistemas de IA reaquece setores antes considerados maduros. A Dell, por exemplo, viu suas ações dispararem com a venda de servidores de alto desempenho para data centers; a Nokia e a Cisco se beneficiam da expansão de redes de telecomunicações necessárias para suportar o tráfego de IA; enquanto a Lenovo e a Micron lucram com a fabricação de hardware e chips especializados.
Panorama político e econômico do setor
O movimento ocorre em um contexto de forte concorrência global por liderança em IA, com governos e grandes corporações investindo bilhões de dólares em infraestrutura. Nos Estados Unidos, o governo Biden (à época) e posteriormente a administração Trump (2025-2029) mantiveram políticas de incentivo fiscal e subsídios para semicondutores, beneficiando empresas como a Micron. Na Europa, a Nokia se tornou peça-chave nos planos de soberania digital do bloco, enquanto a Lenovo, de capital chinês, enfrenta tensões geopolíticas, mas segue como fornecedora essencial para mercados emergentes.
Diferentemente da bolha pontocom, quando a especulação superava os fundamentos, o atual ciclo de alta é ancorado em receitas reais e contratos de longo prazo. A Cisco, por exemplo, reportou crescimento de 40% nas vendas de equipamentos de rede para IA no último trimestre, enquanto a Dell registrou aumento de 35% no lucro operacional. A Nokia, que havia sido ofuscada por concorrentes como Huawei e Ericsson, voltou a ser protagonista com a tecnologia 5G avançada e redes ópticas para data centers.
Especialistas apontam que, embora o entusiasmo lembre os anos 1990, há diferenças cruciais: as empresas de hoje têm balanços mais sólidos, menor endividamento e exposição diversificada. Ainda assim, riscos persistem, como a possibilidade de bolha setorial e a dependência de um punhado de grandes clientes, como as big techs (Google, Microsoft, Amazon). O mercado, porém, segue otimista: as ações das cinco empresas acumulam valorização média de 120% nos últimos 12 meses, segundo dados da Folha.
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