O debate sobre os possíveis impactos do fim da escala 6×1 — seis dias de trabalho e um de descanso — na economia brasileira divide especialistas. Alguns estudos apontam elevação de custos, eliminação de vagas formais e redução do PIB (Produto Interno Bruto). Outras análises mostram que não haverá desemprego significativo e que a elevação das despesas poderá ser absorvida pelas empresas. A proposta, que tramita no Congresso Nacional, reacende o debate sobre a carga horária no país e seus efeitos sobre a produtividade, o mercado de trabalho e a competitividade.
De um lado, pesquisadores ligados a institutos de economia alertam que a redução da jornada pode encarecer a mão de obra, especialmente em setores como comércio, indústria e serviços, que historicamente dependem de escalas extensas. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que o custo adicional para as empresas poderia chegar a 12% em alguns segmentos, o que forçaria demissões ou a informalidade. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta uma queda de até 0,8% no PIB no curto prazo, caso a medida seja implementada sem transição.
Impactos no mercado de trabalho e na produtividade
Por outro lado, sindicatos e organizações de defesa dos trabalhadores argumentam que a escala 6×1 é uma herança do século 20 e que sua extinção pode aumentar a produtividade, reduzir o absenteísmo e melhorar a qualidade de vida. Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indica que, em países como a França e a Alemanha, jornadas mais curtas não geraram desemprego em massa, mas sim ganhos de eficiência. No Brasil, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) defende que a medida pode criar até 2 milhões de novos postos de trabalho, com a redistribuição das horas.
O governo federal, por meio do Ministério do Trabalho e Emprego, sinalizou que estuda uma transição gradual, com incentivos fiscais para empresas que adotarem a nova escala. Já o Banco Central avalia que o impacto inflacionário seria limitado, desde que haja ganhos de produtividade. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no entanto, critica a falta de diálogo e pede mais estudos antes de qualquer mudança.
O debate também envolve o Congresso Nacional, onde a proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 já recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) alerta que o setor de serviços, que emprega 70% da força de trabalho formal, seria o mais afetado, com possível aumento de preços ao consumidor.
Enquanto isso, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomenda que países em desenvolvimento avaliem o impacto setorial antes de reduzir jornadas, mas reconhece que a tendência global é de diminuição das horas trabalhadas. No Brasil, a discussão ocorre em meio a um cenário de recuperação econômica pós-pandemia, com taxa de desemprego em 8,5% e crescimento do PIB de 2,3% em 2025.
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