A Polícia Civil deflagrou nesta segunda-feira (1º) uma operação contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização não governamental pertencente à empresária Karina Gama, sócia da produtora Go UP, responsável pelo longa-metragem Dark Horse, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação apura suspeitas de desvio de recursos públicos em um contrato de R$ 157 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo, envolvendo a gestão de programas educacionais e culturais. O caso ganhou repercussão nacional após reações públicas do senador Flávio Bolsonaro e do deputado federal Mário Frias, que criticaram a operação.
De acordo com as apurações iniciais, o ICB teria recebido os valores para executar projetos de capacitação e eventos, mas parte dos recursos teria sido desviada para contas pessoais de dirigentes da ONG e para a produtora Go UP, que produziu o filme sobre Bolsonaro. A Polícia Civil cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados à empresária Karina Gama e a outros investigados, em São Paulo e no Rio de Janeiro. A Prefeitura de São Paulo, em nota, afirmou que está colaborando com as investigações e que suspendeu novos repasses ao instituto até o esclarecimento dos fatos.
Panorama político e conexões com o entorno bolsonarista
A operação ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre contratos públicos firmados com organizações ligadas a figuras políticas. O caso do ICB se soma a outras investigações que miram o uso de verbas públicas por entidades próximas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro e o deputado Mário Frias classificaram a ação como “perseguição política” e “tentativa de desgastar a imagem do ex-presidente”. A defesa de Karina Gama nega as acusações e afirma que todos os contratos foram cumpridos regularmente.
Paralelamente, o escândalo expõe a fragilidade dos mecanismos de controle em contratos de grande vulto. Em Alagoas, uma reportagem do portal Política Alagoana apontou uso irregular de verbas do Fundeb por prefeituras da família Higino, no interior do estado, reforçando um padrão de desvios em convênios educacionais. A situação levanta questionamentos sobre a fiscalização de ONGs que atuam em parceria com o poder público, especialmente em áreas sensíveis como educação e cultura.
O Ministério Público de São Paulo acompanha o caso e pode abrir inquérito civil para apurar danos ao erário. A Polícia Civil não descarta novas fases da operação, que pode mirar outros contratos da ONG com prefeituras e governos estaduais. Enquanto isso, a Go UP, produtora do filme Dark Horse, segue com suas atividades, mas sob suspeita de ter se beneficiado de recursos desviados. O caso promete gerar novos desdobramentos políticos e judiciais, especialmente em um ano eleitoral.
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