O contrato de R$ 108 milhões firmado entre a gestão Ricardo Nunes (MDB) e o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para fornecimento de Wi-Fi gratuito na cidade de São Paulo foi intermediado por Bruno Lima (Podemos), hoje deputado federal e, à época, secretário de Inovação e Tecnologia do município. Lima é indicado político do senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro. A revelação ocorre em meio à operação policial que mira a produtora do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que gerou acusações de perseguição eleitoral e crise política em São Paulo.
O acordo, no valor de R$ 108 milhões, prevê a instalação e manutenção de pontos de internet gratuita em áreas públicas da capital paulista. O ICB, que é a produtora do filme sobre Bolsonaro, tornou-se alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo, desencadeada em junho de 2026. A ação gerou forte reação de aliados do ex-presidente, que veem motivação eleitoral na investigação, especialmente com as eleições presidenciais se aproximando.
Panorama político e desdobramentos
A operação policial contra a produtora do filme sobre Bolsonaro reacendeu o debate sobre o uso de instituições para fins políticos. Enquanto apoiadores do ex-presidente denunciam perseguição, a gestão Nunes tenta se distanciar do caso, afirmando que o contrato foi firmado dentro da legalidade e que a investigação não tem relação com a prefeitura. No entanto, a ligação de Bruno Lima com Ciro Nogueira, um dos principais articuladores do bolsonarismo no Congresso, adiciona um novo capítulo à crise.
O contrato de Wi-Fi em São Paulo, que já era alvo de críticas por suspeitas de superfaturamento, agora ganha contornos políticos mais amplos. A oposição, liderada por partidos de esquerda, questiona a transparência do processo e pede a anulação do acordo. Enquanto isso, aliados de Nunes veem fogo cruzado, com a operação sendo usada para desgastar a administração municipal em ano eleitoral.
Bruno Lima, por sua vez, nega qualquer irregularidade e afirma que o contrato seguiu todos os trâmites legais. O deputado, que assumiu o mandato em 2025, é visto como uma das principais apostas do Podemos para as eleições de 2026. A revelação de seu envolvimento no contrato com o ICB, no entanto, pode complicar seus planos políticos.
A Polícia Civil de São Paulo continua as investigações, que incluem depoimentos de ex-funcionários do ICB e análise de documentos financeiros. O caso promete render novos capítulos, especialmente com a aproximação das eleições presidenciais, onde Bolsonaro é um dos principais candidatos.
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