O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (UNIÃO-AP), afirmou nesta terça-feira (2) que uma eventual Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master seria um instrumento de ‘palanque eleitoral’, em meio a um impasse político que já acumula cinco pedidos de abertura da comissão no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração ocorre em um contexto de pressão de parlamentares de oposição e de base governista, que recorreram ao Judiciário para forçar a instalação do colegiado, repetindo o precedente da CPI da Covid.
Em entrevista, Alcolumbre justificou sua posição ao argumentar que os órgãos de investigação já estão atuando no caso. ‘A Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Justiça brasileira, está todo mundo investigando isso. Não sei quem é o culpado. Se é o Banco Central do Brasil, se são as pessoas que fizeram errado, se é a Comissão de Valores Mobiliários, mas está todo mundo investigando isso. Querem abrir mais uma CPMI para fazer palanque eleitoral’, declarou o senador, em referência ao volume de apurações em curso.
Pedidos parados e pressão judicial
Atualmente, há pelo menos cinco requerimentos protocolados para a criação de uma CPI sobre o Banco Master: um exclusivo da Câmara dos Deputados, três do Senado Federal e um pedido de CPI mista, que reúne deputados e senadores. Nenhum deles foi lido em sessão ou instalado até o momento, o que mantém a investigação paralisada no Legislativo. Paralelamente, tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) pedidos da oposição e da base governista para que a Corte obrigue o Parlamento a criar a comissão — medida que já foi adotada em 2021, quando o STF determinou a instalação da CPI da Covid.
Para que uma Comissão Parlamentar de Inquérito seja criada, a legislação exige o apoio mínimo de um terço dos integrantes da respectiva Casa Legislativa. Além disso, o requerimento precisa ser lido em uma sessão para que a comissão seja instalada, e deve indicar um fato determinado a ser investigado, com prazo certo para funcionamento. A falta de ação do Congresso, no entanto, tem levado os parlamentares a buscar a via judicial, ampliando o embate entre os Poderes.
Panorama político e implicações
A recusa de Alcolumbre em pautar a CPI reflete um cenário de tensão política às vésperas do período eleitoral de 2026. Enquanto a oposição vê na investigação uma oportunidade de expor supostas irregularidades no sistema financeiro e no governo, a base aliada teme que a comissão se torne um palco para ataques políticos. O Banco Master, alvo das apurações, está no centro de controvérsias envolvendo operações financeiras e suposta omissão de órgãos reguladores, como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A decisão final sobre a CPI, seja no Congresso ou no STF, pode redefinir o equilíbrio de forças entre os Poderes e influenciar a agenda legislativa nos próximos meses.
Fonte: ver noticia original

