O ex-vereador Jairinho negou todas as acusações de agressão e contestou as investigações durante seu depoimento no júri popular que julga a morte do menino Henry Borel, ocorrida em 2021. Em sua primeira fala aos jurados, o réu criticou duramente o trabalho da polícia e do Ministério Público, e decidiu responder apenas às perguntas formuladas por sua própria defesa, recusando-se a interagir com a acusação. O caso, que chocou o Brasil pela brutalidade e pela comoção pública, entra agora em uma fase decisiva, com a expectativa de que o julgamento se estenda por mais dias.
Durante a sessão, Jairinho afirmou que nunca agrediu Henry Borel e que as provas apresentadas pela acusação são inconsistentes e fruto de uma investigação tendenciosa. Ele alegou que as lesões encontradas no corpo da criança poderiam ter outras causas, como acidentes domésticos, e que a polícia teria ignorado evidências que poderiam inocentá-lo. A defesa do ex-vereador também questionou a credibilidade de testemunhas e peritos, apontando supostas falhas nos laudos médicos e na coleta de provas.
Reações e desdobramentos no tribunal
A postura de Jairinho de só responder à própria defesa gerou reações mistas no plenário. Enquanto seus advogados argumentam que se trata de um direito constitucional, a acusação classificou a atitude como uma tentativa de evitar o contraditório. O juiz responsável pelo caso permitiu a estratégia, mas alertou que o silêncio diante das perguntas da promotoria pode ser interpretado pelos jurados como um sinal de culpa. A mãe de Henry Borel, Monique Medeiros, também ré no processo, acompanhou o depoimento de forma tensa, mas manteve-se em silêncio.
O julgamento de Jairinho e Monique Medeiros é um dos mais acompanhados da história recente do Brasil, não apenas pela gravidade do crime, mas também pelo contexto político e social. Jairinho, que era vereador na época do crime, usou seu mandato para tentar influenciar as investigações, o que levou a um pedido de cassação e a uma série de protestos. O caso expôs fragilidades no sistema de proteção à infância e no combate à violência doméstica, gerando debates sobre a impunidade de figuras públicas.
Panorama político e social
O julgamento ocorre em meio a um cenário de crescente cobrança por justiça em casos de violência contra crianças e mulheres. Organizações de direitos humanos e movimentos sociais têm acompanhado de perto cada etapa do processo, pressionando por uma condenação exemplar. A defesa de Jairinho, no entanto, tenta explorar supostas falhas processuais e a comoção pública para argumentar que seu cliente não teria um julgamento justo. A promotoria, por sua vez, reforça que as provas são robustas e que a sociedade espera uma resposta firme do Judiciário.
O depoimento de Jairinho é visto como um momento crucial para o desfecho do caso. Se condenado, ele pode pegar uma pena de até 30 anos de prisão por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e outros crimes. A decisão final caberá aos jurados, que devem levar em conta não apenas as palavras do réu, mas todo o conjunto probatório. O Brasil inteiro aguarda o veredito, que pode se tornar um marco na luta contra a impunidade e na defesa dos direitos das crianças.
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