Críticas de JHC à segurança em Alagoas geram tensão em alianças políticas e expõem fragilidades na base de apoio

O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), voltou a criticar duramente o governador de Alagoas, Paulo Dantas, em relação à política de segurança pública do estado, mas o ataque gerou constrangimento entre aliados ao atingir indiretamente o ex-secretário de Segurança Pública Alfredo Gaspar de Mendonça, figura que desponta como potencial aliado do prefeito em uma eventual candidatura ao governo em 2026. A declaração foi feita durante evento na capital alagoana e repercutiu nos bastidores políticos, expondo fissuras na oposição e fragilidades na base de apoio do governador.

Segundo informações do portal Repórter Maceió, JHC afirmou que a gestão de Dantas na segurança é “ineficiente” e que o estado “não pode continuar refém de políticas que não protegem a população”. A fala, no entanto, foi interpretada por analistas como um recado indireto a Alfredo Gaspar, que comandou a pasta entre 2021 e 2022 e hoje é cotado para compor uma chapa de oposição. A situação expõe um dilema para o prefeito: ao mesmo tempo em que busca se posicionar como crítico do governo, precisa evitar que suas declarações afastem potenciais aliados.

Panorama político e impactos nas alianças

O cenário político alagoano vive um momento de reconfiguração. JHC, que já foi aliado de Dantas, hoje se coloca como principal nome da oposição, mas enfrenta dificuldades para consolidar uma frente ampla. A crítica à segurança pública, tema sensível para o eleitorado, pode fortalecer sua imagem, mas também acirra disputas internas. Alfredo Gaspar, por sua vez, mantém interlocução com ambos os lados e não descarta uma aliança com o prefeito, desde que haja “respeito às gestões passadas”.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a declaração de JHC pode ter sido calculada para testar a lealdade de Gaspar, mas o efeito colateral é o desgaste de uma possível coligação. “O prefeito precisa equilibrar o discurso de oposição com a construção de pontes. Atacar a política de segurança sem mencionar nomes pode soar como uma crítica genérica, mas, no contexto, atinge diretamente um nome que ele mesmo corteja”, analisa o cientista político Carlos Melo, da Universidade Federal de Alagoas.

Enquanto isso, o governador Paulo Dantas tenta capitalizar a crise. Em nota, a Secretaria de Comunicação do estado afirmou que “a segurança pública é prioridade e os índices de criminalidade vêm caindo nos últimos anos”. Dados oficiais apontam redução de 12% nos homicídios em 2024, mas críticos questionam a eficácia das políticas de prevenção. A polêmica deve marcar a pauta das próximas semanas, especialmente com a aproximação do período eleitoral de 2026.

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