Associação de delegados rebate críticas de Flávio Bolsonaro e Ricardo Nunes e defende legalidade de operação contra produtora de ‘Dark Horse’

A ADPESP (Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado de São Paulo) criticou duramente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), por terem acusado de motivação política a operação da Polícia Civil que mirou a produtora Karina Ferreira da Gama e a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. A entidade, que representa os delegados paulistas, saiu em defesa da legalidade e da autonomia da investigação, rechaçando as alegações de que o caso teria viés partidário.

A operação, deflagrada no âmbito da Polícia Civil de São Paulo, teve como alvo a produtora responsável pelo documentário ‘Dark Horse’, que aborda a gestão municipal e possíveis irregularidades na área de inovação. A ação incluiu buscas e apreensões na sede da produtora e na secretaria, gerando reações imediatas de figuras políticas. Flávio Bolsonaro e Ricardo Nunes classificaram a medida como ‘perseguição política’ e ‘abuso de poder’, sem apresentar provas concretas para sustentar as acusações.

Panorama político e reações

O episódio ocorre em um contexto de forte polarização política no Brasil, com a proximidade das eleições gerais de 2026. A operação foi vista por aliados do governo federal como uma tentativa de desgastar a administração municipal, enquanto defensores da ação policial apontam para a necessidade de apurar possíveis desvios de recursos públicos e irregularidades contratuais. A ADPESP, em nota oficial, afirmou que ‘a Polícia Civil atua com estrito cumprimento da lei, sem qualquer interferência externa ou motivação política’, e que ‘as críticas infundadas apenas prejudicam a credibilidade das instituições’.

A produtora Karina Ferreira da Gama é conhecida por produções audiovisuais que abordam temas políticos e sociais, e o documentário ‘Dark Horse’ gerou controvérsia ao expor supostas falhas na gestão de Ricardo Nunes. A investigação, segundo fontes da Polícia Civil, busca esclarecer se houve uso indevido de verbas públicas ou favorecimento em contratos relacionados à produção do filme. A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, por sua vez, negou qualquer irregularidade e disse colaborar com as autoridades.

O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem sido um dos principais críticos da operação, utilizando suas redes sociais para questionar a imparcialidade da Polícia Civil. Já o prefeito Ricardo Nunes, que busca a reeleição em 2026, viu no episódio uma oportunidade de se posicionar como vítima de perseguição, embora a ADPESP tenha reforçado que ‘a investigação segue os trâmites legais e não há qualquer direcionamento político’.

A Associação dos Delegados ainda destacou que ‘a autonomia da Polícia Civil é um pilar do Estado Democrático de Direito’ e que ‘tentativas de desqualificar o trabalho policial com acusações infundadas são inaceitáveis’. O caso segue sob sigilo judicial, mas já mobiliza diferentes setores da sociedade, com defensores da operação pedindo transparência e críticos exigindo a apuração de eventuais abusos.

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