A Polícia Civil de São Paulo instaurou investigação sobre um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para fornecimento de wi-fi gratuito na capital paulista, após revelações de que o ICB contratou uma produtora ligada ao grupo Dark Horse. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) saiu em defesa do ex-secretário municipal e atual deputado federal Delegado Bruno Lima (Podemos), responsável pela parceria durante sua gestão na Secretaria de Inovação e Tecnologia.
De acordo com informações divulgadas pelo Painel da Folha de S.Paulo, a investigação foi aberta após a reportagem apontar que o ICB, organização social contratada pela prefeitura, repassou parte dos recursos para uma produtora de vídeo que tem entre seus sócios um ex-integrante do grupo musical Dark Horse, conhecido por hits do funk paulista. O contrato, assinado em 2025, previa a instalação de pontos de internet gratuita em regiões periféricas da cidade, mas agora está sob suspeita de irregularidades na execução financeira.
Defesa do prefeito e reações políticas
Em declaração à imprensa, Ricardo Nunes afirmou que confia na lisura do trabalho de Delegado Bruno Lima e que o ex-secretário agiu dentro da legalidade. “O delegado é um servidor público exemplar, e tenho certeza de que tudo foi feito conforme as normas. A investigação vai esclarecer qualquer dúvida”, disse o prefeito. A defesa ocorre em meio a um cenário político tenso, com as eleições municipais de 2028 no horizonte e a oposição usando o caso para questionar a gestão de Nunes na área de inovação.
O deputado federal Delegado Bruno Lima, por sua vez, negou qualquer irregularidade e afirmou que o contrato seguiu todos os trâmites legais. “O ICB foi selecionado por meio de chamamento público, e a contratação da produtora é uma decisão da organização, não minha. Estou à disposição para esclarecer tudo”, declarou em nota. A oposição na Câmara Municipal de São Paulo, liderada por vereadores do PT e PSOL, já protocolou um pedido de convocação do ex-secretário para prestar esclarecimentos.
Impacto do caso na administração municipal
O contrato de R$ 108 milhões é um dos maiores já firmados pela prefeitura para inclusão digital, e a suspeita de desvio de finalidade levanta questionamentos sobre a fiscalização de parcerias com organizações sociais. Especialistas em gestão pública apontam que a falta de transparência na execução de contratos pode comprometer a credibilidade de programas sociais. A investigação da Polícia Civil deve focar em possíveis superfaturamentos e na destinação dos recursos, que, segundo a reportagem, foram usados para produção de conteúdo audiovisual sem relação direta com o wi-fi gratuito.
O caso também reacende o debate sobre a atuação de institutos e ONGs em contratos públicos, tema que ganhou destaque após escândalos anteriores em outras gestões municipais. A Prefeitura de São Paulo informou que abrirá uma auditoria interna para revisar o contrato e que colaborará integralmente com as investigações. Enquanto isso, a população das regiões atendidas pelo programa de wi-fi gratuito aguarda respostas sobre a continuidade do serviço, que já beneficia milhares de pessoas em áreas de vulnerabilidade social.
A expectativa é que o inquérito policial seja concluído nos próximos meses, e o caso pode ter desdobramentos políticos significativos para Ricardo Nunes e Delegado Bruno Lima, especialmente em um ano de preparação para as eleições estaduais e federais de 2026. A oposição já sinaliza que usará o episódio para criticar a gestão do MDB na capital paulista, enquanto a base aliada tenta minimizar o impacto, apostando na defesa da legalidade dos atos.
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