O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 terá que tramitar nas comissões da Casa, sugerindo que o Senado deve melhorar o texto que chegou da Câmara dos Deputados. A declaração foi feita em plenário após questionamento do senador Styvenson Valentim (Podemos-RN), que cobrou uma previsão de data para votação da matéria. Alcolumbre defendeu que a PEC seja votada “sem pressa”, ouvindo todos os setores da sociedade, e que a definição do processo de tramitação ocorrerá após reunião de líderes na próxima semana.
“Quero dizer, como presidente do Senado, que essa proposta vai ter que tramitar nas comissões porque as cobranças de todos os senadores sobre a presidência são que todas as matérias possam passar, no mínimo, por uma comissão”, disse Alcolumbre. A fala representa uma mudança de postura em relação ao silêncio anterior sobre o tema, conforme reportagem da Agência Brasil. O presidente do Senado criticou a pressão para analisar a PEC “do dia para a noite” e defendeu um debate aprofundado, citando a necessidade de ouvir trabalhadores, empresários e demais setores impactados pela redução da jornada de 44 para 40 horas semanais.
Panorama político e impactos da PEC
A PEC do fim da escala 6×1, que propõe a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, tem gerado forte polarização entre trabalhadores e empresários. Enquanto movimentos sociais e centrais sindicais defendem a medida como um avanço na qualidade de vida, entidades patronais alertam para possíveis impactos na produtividade e nos custos operacionais. No Congresso, a proposta enfrenta resistência de setores conservadores e da oposição, que tenta preservar a escala atual. Alcolumbre, ao sugerir a tramitação por comissões, busca construir um consenso ampliado, mas também atende a pressões de senadores que desejam mais tempo para análise. A reunião de líderes da próxima semana será decisiva para definir o rito e o calendário de votação.
“Tenho certeza absoluta de que, assim como outros senadores que pensam como eu, seria muito razoável se o Senado pudesse melhorar um texto com essa importância, se os senadores pudessem debater um assunto dessa envergadura com calma”, completou Alcolumbre. A declaração sinaliza que o texto aprovado na Câmara pode sofrer alterações no Senado, o que alongaria o processo legislativo e exigiria nova votação pelos deputados. Enquanto isso, a oposição articula para manter a escala 6×1, e o governo federal acompanha de perto as negociações, sem posicionamento oficial definitivo. A PEC, se aprovada, representará uma das maiores mudanças nas relações trabalhistas das últimas décadas, com impacto direto na vida de milhões de brasileiros.
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