O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (3) que foi pego de surpresa com o anúncio de novas tarifas comerciais propostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, e que enviará uma nova carta ao presidente norte-americano Donald Trump. Durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula declarou que o Brasil não foi comunicado oficialmente sobre a medida e que o tratamento dado ao país é inaceitável. A declaração ocorre em meio a um cenário de tensão comercial entre as duas maiores economias das Américas, com impactos diretos sobre exportações brasileiras e a relação bilateral.
Segundo Lula, na última reunião que teve com Trump, em Washington, os dois líderes discutiram por três horas os temas de interesse do Brasil. Na ocasião, houve divergência entre o ministro brasileiro e o secretário de Comércio dos EUA. Diante do impasse, Lula propôs um prazo de 30 dias para que as equipes técnicas chegassem a um entendimento. O presidente afirmou que, se estivesse errado, não teria problema em recuar, mas que o mesmo valeria para o lado norte-americano. Esse prazo, segundo ele, ainda não terminou.
“Não se concluiu nada. Por isso, a nossa surpresa com a decisão de mais um comunicado, de mais uma taxação com relação ao Brasil”, disse Lula, referindo-se à investigação do escritório comercial dos EUA que, na terça-feira (2), concluiu que 60 países, incluindo o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. A sobretaxa, segundo o Ministério das Relações Exteriores, deve se somar a outra taxa proposta em relatório anterior dos EUA.
Panorama político e reações
O episódio ocorre em um momento de redefinição das relações comerciais globais, com os EUA adotando uma postura mais protecionista sob a administração Trump. A medida atinge setores estratégicos da economia brasileira, como o agronegócio e a indústria de transformação, que já enfrentam desafios com a concorrência internacional. Especialistas apontam que a sobretaxa pode elevar custos para exportadores brasileiros e reduzir a competitividade dos produtos nacionais no mercado americano.
Durante a reunião ministerial, Lula também criticou o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, a quem chamou de “latino-americano frustrado”, e reforçou a necessidade de defender os interesses nacionais. O presidente afirmou que entregou pessoalmente a Trump quatro documentos “muito importantes” sobre temas como combate a facções criminosas, exploração de terras raras e a guerra no Irã. “Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos”, declarou.
A reação do governo brasileiro sinaliza uma tentativa de equilibrar a defesa dos interesses comerciais com a manutenção do diálogo diplomático. Enquanto isso, o Congresso Nacional e entidades empresariais acompanham de perto os desdobramentos, que podem influenciar acordos bilaterais futuros e a pauta de exportações do país.
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