Senador pede bloqueio de bens de ex-prefeito de Maceió e Daniel Vorcaro em meio a novas revelações do Caso Master

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de bloqueio de bens do ex-prefeito de Maceió e do empresário Daniel Vorcaro, em meio às novas revelações do Caso Master, que já aponta um rombo de R$ 117 milhões no Instituto de Previdência de Maceió (Iprev). A ação, que também mira outros envolvidos, busca garantir o ressarcimento aos cofres públicos e amplia a pressão sobre o sistema previdenciário municipal, abalado por supostas fraudes e desvios sistemáticos.

O pedido, divulgado nesta quarta-feira, 12 de março de 2025, baseia-se em novas provas colhidas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Caso Master, que investiga a maior crise financeira já registrada em Alagoas. Segundo o senador, os valores desviados comprometem diretamente a aposentadoria de milhares de servidores públicos de Maceió, que dependem do Iprev para receber seus benefícios. O bloqueio de bens, se aprovado pelo STF, pode incluir imóveis, veículos, contas bancárias e participações societárias dos investigados.

Panorama político e econômico do Caso Master

O Caso Master ganhou contornos nacionais após a revelação de que o Iprev de Maceió teria sido alvo de um esquema de corrupção envolvendo agentes públicos e privados. O rombo de R$ 117 milhões, inicialmente estimado, já é considerado subestimado por especialistas, que apontam que o prejuízo real pode ultrapassar R$ 200 milhões. O caso expõe fragilidades na gestão previdenciária de Maceió e reacende o debate sobre a transparência e o controle dos fundos de pensão municipais em todo o Brasil.

Além do ex-prefeito e de Daniel Vorcaro, o pedido de bloqueio atinge outros nomes citados nas investigações, como ex-secretários municipais e empresários ligados ao setor imobiliário. A ação no STF é mais um capítulo de uma série de medidas judiciais que visam responsabilizar os envolvidos e recuperar os recursos desviados. O senador Renan Calheiros, que lidera a CPI, afirmou que o caso é um exemplo claro de como a falta de fiscalização pode levar ao colapso de sistemas previdenciários inteiros.

O impacto político é imediato: a oposição na Câmara Municipal de Maceió já cobra a abertura de uma investigação interna no Iprev, enquanto o governo estadual de Alagoas, sob a gestão do governador Paulo Dantas (MDB), tenta conter os danos à imagem do estado. A situação também coloca em xeque a atuação do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TCE-AL), que teria sido alertado sobre irregularidades no Iprev desde 2022, mas não tomou medidas efetivas.

Desdobramentos e próximos passos

O STF deve analisar o pedido de bloqueio nos próximos dias, em caráter de urgência. Caso seja deferido, os bens dos investigados ficarão indisponíveis até o julgamento final do caso. Paralelamente, a CPI do Caso Master convocou novos depoimentos de ex-gestores do Iprev e de membros do conselho de administração do fundo. A expectativa é que novas revelações surjam nas próximas semanas, ampliando ainda mais o escopo das investigações.

O Ministério Público Federal (MPF) também acompanha o caso de perto, já que parte dos recursos desviados pode ter origem em repasses federais para a previdência municipal. A Procuradoria da República em Alagoas já abriu um inquérito civil para apurar a responsabilidade de agentes públicos e privados no rombo do Iprev. A situação coloca Maceió no centro de um escândalo que pode ter repercussões em todo o sistema previdenciário do país.

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