Morte fetal em hospital do Sertão de Alagoas reacende crise na saúde pública regional

Uma denúncia feita nas redes sociais por um advogado reacendeu questionamentos sobre o atendimento no hospital do Sertão de Alagoas, onde uma gestante perdeu o filho após suposta demora no acolhimento médico. O caso, ocorrido na última semana, expõe fragilidades recorrentes na unidade, que já havia sido alvo de outras reclamações recentes de pacientes e familiares. A situação levanta alertas sobre a qualidade dos serviços de saúde pública na região, que enfrenta carência de profissionais, infraestrutura precária e superlotação.

De acordo com o advogado João Paulo Silva, que representa a família da gestante, a paciente deu entrada no hospital com fortes dores e sangramento, mas teria aguardado por mais de três horas sem receber atendimento adequado. “Ela chegou consciente, mas o quadro se agravou pela demora. Infelizmente, o bebê não resistiu”, afirmou o profissional, que registrou boletim de ocorrência e promete acionar a Justiça por danos morais e materiais. A unidade, que atende a uma população de cerca de 200 mil habitantes em cidades como Delmiro Gouveia, Água Branca e Pariconha, já havia sido alvo de denúncias semelhantes nos últimos meses, incluindo falta de médicos plantonistas e equipamentos obsoletos.

O caso ganhou repercussão nacional após a publicação de um vídeo nas redes sociais, no qual o advogado detalha a suposta negligência. A Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) informou, em nota, que abriu uma sindicância para apurar os fatos e que a unidade está passando por reformas estruturais. “A Sesau lamenta profundamente o ocorrido e garante que todos os procedimentos serão investigados com rigor”, diz o comunicado. No entanto, a resposta não acalmou os ânimos da população local, que organizou protestos em frente ao hospital na última terça-feira.

Panorama político e social

O incidente ocorre em um momento de tensão política no estado, onde o governo de Paulo Dantas (MDB) enfrenta críticas da oposição por suposta má gestão na saúde pública. Dados do Conselho Regional de Medicina de Alagoas (CRM-AL) indicam que, em 2025, o estado registrou um aumento de 15% nas reclamações contra hospitais públicos, especialmente no interior. A falta de investimentos em infraestrutura e a escassez de profissionais são apontadas como causas principais. Enquanto isso, o Ministério Público Estadual (MP-AL) já instaurou um inquérito civil para investigar as condições de atendimento no hospital do Sertão, que pode resultar em multas ou até mesmo na intervenção judicial na unidade.

A morte fetal também reacendeu o debate sobre a saúde materno-infantil na região. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Alagoas tem uma das maiores taxas de mortalidade infantil do Brasil, com 18,5 óbitos por mil nascidos vivos, bem acima da média nacional de 12,4. Especialistas apontam que a falta de leitos de UTI neonatal e a demora no atendimento são fatores críticos. “Cada morte evitável é um fracasso do sistema público”, afirmou a médica Ana Beatriz Santos, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em entrevista ao portal. “Precisamos de políticas urgentes de fortalecimento da atenção primária e de ampliação da rede hospitalar.”

Enquanto a sindicância da Sesau não é concluída, a família da gestante aguarda respostas e cobra justiça. O advogado João Paulo Silva adiantou que vai protocolar uma representação na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE-AL) para cobrar transparência nas investigações. O caso, que já mobiliza a opinião pública, deve se tornar mais um capítulo na luta por melhorias na saúde do Sertão alagoano.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *