Ministério da Saúde paralisa vacinação contra a dengue com imunizante do Butantan após 42 casos de reações severas e duas mortes suspeitas

O Ministério da Saúde anunciou, nesta terça-feira (8), a paralisação temporária e preventiva da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantã, após a notificação de 42 casos de reações severas em todo o país. Em coletiva de imprensa realizada em Brasília, o ministro Alexandre Padilha (Saúde) informou que duas mortes suspeitas de estarem relacionadas à vacina estão sob investigação. A decisão, de caráter cautelar, foi tomada em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o próprio Butantan, e vale até que os estudos de causalidade sejam concluídos.

A suspensão atinge todas as doses do lote em circulação e interrompe a campanha de imunização que já havia aplicado cerca de 1,2 milhão de doses em 18 estados brasileiros. Segundo o ministro Alexandre Padilha, os 42 casos de reações severas incluem quadros de anafilaxia, síndrome de Guillain-Barré e outras manifestações neurológicas graves. As duas mortes investigadas ocorreram em pacientes que receberam a vacina entre 10 e 20 dias antes dos óbitos, mas ainda não há confirmação de nexo causal. “A prioridade é a segurança da população. Enquanto não tivermos clareza sobre esses eventos, a vacinação será suspensa”, afirmou Padilha.

Detalhes da investigação e impacto na campanha

O Instituto Butantã, responsável pelo desenvolvimento e produção do imunizante, informou que colabora integralmente com as autoridades sanitárias. Em nota, a instituição destacou que os ensaios clínicos de fase 3, realizados entre 2023 e 2025, não haviam registrado eventos adversos graves em proporção superior ao esperado. “Estamos analisando cada caso com rigor e compartilhando todos os dados com a Anvisa e o Ministério da Saúde”, declarou o diretor-presidente do Butantan, Dimas Covas. A vacina, que utiliza tecnologia de vírus atenuado, havia sido aprovada em caráter emergencial em janeiro de 2026, após uma epidemia histórica de dengue que sobrecarregou o sistema de saúde.

A paralisação ocorre em um momento crítico, com o Brasil registrando mais de 4 milhões de casos prováveis de dengue em 2026, segundo o boletim epidemiológico mais recente do Ministério da Saúde. A campanha de vacinação, iniciada em março, priorizava crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária com maior incidência de hospitalizações. Com a suspensão, cerca de 800 mil pessoas que já haviam recebido a primeira dose aguardam orientação sobre a segunda aplicação. O ministro Alexandre Padilha garantiu que, enquanto a investigação não for concluída, nenhuma nova dose será administrada.

Panorama político e reações

A decisão gerou reações imediatas no Congresso Nacional e entre especialistas em saúde pública. O senador Eduardo Girão (Novo-CE), presidente da Comissão de Assuntos Sociais, convocou audiência pública para discutir a transparência dos dados. “A população precisa saber exatamente o que está acontecendo. Não podemos repetir erros de comunicação de crises sanitárias passadas”, afirmou. Já a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), relatora da CPI da Dengue na Câmara, defendeu a manutenção da confiança no sistema de vacinação. “A suspensão é um ato de responsabilidade, não de pânico. O Butantan tem histórico de excelência e essa investigação vai esclarecer os fatos”, disse.

O episódio reacende o debate sobre a segurança de vacinas em larga escala e a necessidade de canais de notificação ágeis. A Anvisa, em nota técnica, informou que os 42 casos foram reportados por meio do sistema e-SUS Notifica, que integra dados de unidades de saúde de todo o país. A agência também destacou que, em paralelo, está revisando os protocolos de farmacovigilância para vacinas de uso emergencial. Enquanto isso, o Ministério da Saúde orienta que pessoas que receberam a vacina e apresentaram sintomas como febre alta, dor de cabeça intensa, fraqueza muscular ou dificuldade respiratória procurem atendimento médico imediato.

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