Ataque homofóbico em trem de São Paulo: casal sofre agressões e trauma psicológico

Um casal de homens denunciou um ataque homofóbico ocorrido dentro de um trem da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) em São Paulo, na última semana. As imagens registradas por câmeras de segurança mostram um passageiro proferindo ofensas contra os dois homens, que relataram ter sofrido agressões físicas e verbais. A vítima, que preferiu não se identificar, afirmou à reportagem que o episódio deixou marcas profundas, incluindo trauma psicológico e medo de utilizar novamente o transporte público. O caso foi registrado no 4º Distrito Policial da capital, que investiga o crime como injúria racial e homofobia, com base na Lei 7.716/1989, que tipifica crimes de preconceito.

De acordo com o boletim de ocorrência, o ataque ocorreu por volta das 18h30, horário de pico, quando o trem seguia da Estação Luz para a Estação Barra Funda. O agressor, um homem de aproximadamente 40 anos, teria iniciado as ofensas após perceber que as vítimas estavam trocando carícias. As imagens capturadas mostram o passageiro gritando palavras de baixo calão e fazendo gestos obscenos, enquanto outros passageiros assistiam sem intervir. Uma das vítimas, de 28 anos, relatou que o agressor chegou a desferir um soco em seu rosto, causando um hematoma no olho esquerdo. “Foi um momento de pânico. Ninguém nos ajudou, e o trem só parou minutos depois. Senti medo de morrer”, declarou a vítima em entrevista à emissora local.

Panorama político e social

O caso reacende o debate sobre a segurança da população LGBTQIA+ no transporte público paulistano, que já registrou ao menos 12 denúncias de crimes de ódio em 2026, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. A capital paulista, que sediou a 30ª Parada do Orgulho LGBT em junho, enfrenta uma escalada de violência contra a comunidade, com um aumento de 15% nos casos de homofobia em relação ao ano anterior, conforme relatório do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). Organizações de direitos humanos, como a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, cobram ações mais efetivas do governo estadual, incluindo campanhas de conscientização e treinamento de agentes de segurança para lidar com crimes de ódio.

A Secretaria de Transportes Metropolitanos informou, em nota, que está colaborando com a investigação policial e que as imagens das câmeras de segurança foram disponibilizadas para a delegacia. A pasta também afirmou que reforçará a presença de seguranças nas estações e trens, especialmente nos horários de pico. No entanto, críticos apontam que as medidas são insuficientes, já que a maioria dos ataques ocorre em vagões lotados, onde a fiscalização é limitada. O governador do estado, em pronunciamento na última terça-feira, classificou o ataque como “inaceitável” e prometeu endurecer as penas para crimes de homofobia, mas não apresentou propostas concretas.

A vítima, que está recebendo acompanhamento psicológico, afirmou que pretende processar o agressor e cobrar indenização por danos morais. “Quero que ele pague pelo que fez, mas também quero que o governo tome providências para que outras pessoas não passem pelo mesmo”, disse. O caso segue sob investigação, e o agressor, que não foi localizado até o fechamento desta edição, pode ser enquadrado na Lei 7.716/1989, com pena de reclusão de 1 a 3 anos, além de multa. A comunidade LGBTQIA+ promete realizar um ato público na Estação Barra Funda no próximo sábado, em solidariedade às vítimas e para cobrar justiça.

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