O próximo presidente do Peru, a ser eleito em pleito marcado por polarização e incertezas, enfrentará desafios profundos de legitimidade e governabilidade, conforme avaliação de especialista ouvido pelo programa Hora H. A disputa apertada entre os candidatos, combinada a um Congresso dominado pela oposição, pode dificultar o início do novo governo e agravar a crise política que assola o país andino.
Em entrevista ao programa Hora H, o analista político destacou que a fragmentação do poder legislativo e a falta de consenso entre as forças partidárias criam um cenário de paralisia decisória. O novo mandatário, independentemente de sua filiação, terá de negociar com um parlamento hostil, onde a oposição detém maioria capaz de obstruir pautas prioritárias. Esse quadro, segundo o especialista, compromete a capacidade de implementar reformas urgentes, como a recuperação econômica e o combate à corrupção.
Panorama político e econômico
O Peru vive um período de instabilidade crônica, com sucessivos presidentes enfrentando processos de impeachment e crises de confiança popular. A economia, que já dava sinais de desaceleração antes da pandemia, sofreu contração adicional, elevando o desemprego e a pobreza. Nesse contexto, a eleição presidencial deste domingo representa uma tentativa de restaurar a normalidade institucional, mas o resultado apertado previsto nas pesquisas sugere que a polarização persistirá.
O especialista ressaltou que a legitimidade do próximo governo será testada desde o primeiro dia. Com uma margem estreita de votos, o vencedor precisará construir pontes com setores da sociedade civil, empresariado e movimentos sociais para evitar uma crise de representatividade. A ausência de uma base sólida no Congresso, onde partidos como o Fujimorismo e a esquerda radical detêm bancadas expressivas, exigirá habilidade política para formar coalizões instáveis.
Além disso, a governabilidade será ameaçada por pautas explosivas, como a reforma da previdência, a revisão de contratos de mineração e a política de combate ao narcotráfico. O analista alertou que, sem um acordo mínimo entre os poderes, o Peru pode mergulhar em novo ciclo de protestos sociais e instabilidade, semelhante ao que ocorreu em governos anteriores.
Para o especialista, o cenário se assemelha ao de outros países latino-americanos que enfrentaram crises de governabilidade, como o Brasil e o Chile, mas com agravantes locais, como a fragmentação partidária e a desconfiança nas instituições. Ele concluiu que o próximo presidente terá de agir com rapidez para apresentar um plano de governo crível e buscar diálogo com todos os setores, sob pena de ver seu mandato comprometido antes mesmo de começar.
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