Guerra no Irã impulsiona royalties do petróleo a recorde de R$ 8 bilhões em maio

A arrecadação com royalties sobre a produção de petróleo disparou após o início da guerra no Irã e atingiu recorde em maio, com mais de R$ 8 bilhões. A receita extra beneficia o governo federal e deve ajudar o Rio de Janeiro a fechar o ano com déficit bem inferior ao previsto, segundo dados divulgados pela Folha de S.Paulo em 9 de junho de 2026.

O valor recorde representa um salto de aproximadamente 35% em relação ao mês anterior e de mais de 60% na comparação com maio de 2025, antes do conflito. A guerra no Irã, iniciada em abril, elevou o preço internacional do barril de petróleo para patamares acima de US$ 120, impactando diretamente a arrecadação de royalties no Brasil, que é um dos maiores produtores de petróleo do mundo.

Os royalties são pagos pelas empresas petrolíferas à União e aos estados e municípios produtores. A parcela federal, que corresponde a cerca de 30% do total, será destinada ao caixa do governo central, enquanto os 70% restantes são distribuídos entre os entes subnacionais. O Rio de Janeiro, maior produtor nacional, deve receber a maior fatia, estimada em R$ 2,5 bilhões apenas em maio.

Impacto fiscal e cenário político

A receita extra chega em um momento de pressão fiscal para o governo federal, que busca equilibrar as contas públicas em meio a despesas crescentes com programas sociais e investimentos. O Ministério da Fazenda já sinalizou que parte dos recursos será usada para abater a dívida pública, enquanto outra parcela pode ser direcionada ao fundo social do pré-sal, que financia projetos em educação e saúde.

Para os estados produtores, o alívio é significativo. O Rio de Janeiro, que enfrenta um déficit orçamentário de R$ 12 bilhões para 2026, poderá reduzir esse valor para cerca de R$ 4 bilhões, caso os preços do petróleo se mantenham elevados até o fim do ano. A Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro confirmou que a arrecadação de royalties em maio superou em 80% a média mensal de 2025.

No plano político, o recorde de arrecadação reacende o debate sobre a dependência econômica do país em relação ao petróleo e a necessidade de diversificação produtiva. Parlamentares da oposição criticam a falta de planejamento para usar os recursos extraordinários em investimentos de longo prazo, enquanto a base governista defende que o dinheiro seja aplicado no combate à inflação e no fortalecimento do mercado interno.

A guerra no Irã, que já dura dois meses, continua a pressionar os preços globais de energia, e analistas do mercado financeiro projetam que o barril pode ultrapassar US$ 130 nas próximas semanas. Caso isso se confirme, a arrecadação de royalties no Brasil pode bater novos recordes nos meses seguintes, ampliando o impacto positivo nas contas públicas, mas também os riscos de desequilíbrio fiscal se os preços caírem abruptamente.

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