Operação Infiltrados do MP-SP expõe esquema do PCC dentro da polícia e do próprio Ministério Público

O Ministério Público de São Paulo deflagrou na manhã desta terça-feira (9) a Operação Infiltrados, com o objetivo de investigar a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) junto a agentes públicos, além de extorsões, violação do sigilo funcional e infiltração de criminosos no próprio órgão. A operação, que cumpre dez mandados de busca e apreensão e três de prisão temporária nas cidades de Campinas e Cardoso, é um desdobramento das operações Pronta Resposta e Off White.

As investigações apontam que o PCC planejava um atentado contra Amauri Silveira Filho, promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo o MP, um dos principais acusados de planejar a morte de Silveira se reuniu com o chefe dos investigadores da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (DISE) de Campinas uma semana antes da operação que frustrou a suposta tentativa de assassinato, em 2025. Há vídeos comprovando o encontro entre o criminoso e o servidor público.

Infiltração no MP e extorsões contra membros do PCC

Através das investigações, o MP também descobriu que um estagiário da instituição praticava o crime de extorsão contra um membro do PCC. Este funcionário se infiltrou em uma das Promotorias de Justiça Criminais de Campinas e, com a ajuda de outros servidores, identificou um criminoso com grande poder econômico. A partir disso, passou a extorquir dinheiro em troca de proteção em investigações. O estagiário teria recebido ajuda de um policial penal e de um ex-policial civil expulso por crime de extorsão.

A operação tem a participação do Gaeco, do 1º Batalhão de Ações da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Penal (Baep) de Campinas, da Corregedoria da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Penal. O caso expõe a vulnerabilidade de órgãos públicos à infiltração do crime organizado, em um contexto onde facções como o PCC buscam influência política e judicial, conforme já registrado em outras operações recentes, como a que prendeu o influenciador PTK em Alagoas e o esquema de corrupção eleitoral em Santa Catarina que trocava cocaína por votos.

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