Poupança registra ingresso de R$ 2,6 bilhões em maio, mês de lançamento do Desenrola 2.0

As aplicações na caderneta de poupança superaram os saques em R$ 2,6 bilhões em maio, informou o Banco Central (BC) nesta terça-feira (9). Esse foi o primeiro ingresso líquido de recursos na tradicional modalidade de investimento em 2026, após meses seguidos de retiradas. O movimento ocorreu no mesmo mês em que teve início o Desenrola 2.0, também chamado de Novo Desenrola, programa federal voltado para brasileiros endividados com o sistema bancário que têm renda mensal de até cinco salários-mínimos. Até o início de junho, foram renegociados R$ 20 bilhões por meio do programa, segundo dados do governo.

Com a entrada de recursos em maio, o estoque total de valores depositados na poupança subiu de R$ 1 trilhão em abril para R$ 1,01 trilhão no fim do mês passado. O BC não informa oficialmente as razões do ingresso, mas analistas apontam que a renegociação de dívidas pode ter liberado renda para que parte dos brasileiros voltasse a poupar. Apesar do alívio momentâneo, a caderneta de poupança enfrenta um cenário de baixa atratividade. Com a taxa Selic em 14,5% ao ano, o rendimento da poupança é limitado a 0,5% ao mês mais a variação da Taxa Referencial (TR), o que a torna menos competitiva que investimentos em renda fixa, como títulos públicos, papéis de empresas e aplicações atreladas ao CDI.

Panorama do endividamento e impacto do Desenrola 2.0

O ingresso de R$ 2,6 bilhões em maio contrasta com a evasão acumulada nos primeiros cinco meses do ano, que totalizou R$ 39,1 bilhões. A alta do endividamento no início de 2026 pressionou as famílias a sacarem recursos da poupança para cobrir despesas. O Desenrola 2.0, lançado em maio, busca reverter esse quadro ao permitir que devedores renegociem dívidas bancárias com condições especiais. Até o início de junho, o programa já havia renegociado R$ 20 bilhões, beneficiando milhões de brasileiros com renda de até cinco salários-mínimos. Especialistas avaliam que a medida pode ter contribuído para o saldo positivo da poupança, ao reduzir o comprometimento da renda e liberar recursos para aplicação.

Poupança perde espaço para renda fixa e Bolsa

Apesar do resultado positivo em maio, a caderneta de poupança segue perdendo competitividade. Com a Selic elevada, investimentos em renda fixa, como títulos públicos e CDBs, oferecem retornos superiores. No mercado de renda variável, o Ibovespa acumula alta de 4,5% em 2026, após disparada de 34% em 2025 — o maior avanço anual desde 2016. O dólar, por sua vez, registrou queda de 5,6% na parcial do ano, o que também favorece aplicações em ativos locais. A combinação de juros altos e recuperação da Bolsa torna a poupança menos atraente para investidores que buscam maior rentabilidade, embora ela ainda seja a modalidade mais popular entre os brasileiros de baixa renda.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *