Em meio a tarifaço de Trump, Lula convoca Conselhão para discutir soberania e defesa do multilateralismo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa nesta quarta-feira (10) da primeira reunião do ano do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, o Conselhão, em meio a uma nova ofensiva tarifária dos Estados Unidos que pode impor tarifas de até 37,5% sobre produtos brasileiros, conforme proposta do governo de Donald Trump. O encontro, que reúne empresários de diversos setores, ministros e ativistas, ocorre no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, a partir das 10h, e tem como mote “Da soberania nacional ao protagonismo global”.

Criado em 2003 e extinto durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), o Conselhão foi recriado em 2023 e realiza seu sétimo encontro desde então. A reunião será aberta pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), seguido por breves discursos de conselheiros e pelo encerramento da abertura com o presidente Lula. Segundo auxiliares do Palácio do Planalto, as declarações devem reforçar o posicionamento do Brasil no cenário internacional, com ênfase na defesa da soberania nacional e do multilateralismo, em resposta direta às ameaças comerciais dos EUA.

Panorama político e econômico

A nova ameaça tarifária de Trump ocorre em um momento de tensão nas relações bilaterais, após o governo brasileiro reagir com indignação ao que chamou de “sabotagem” da família Bolsonaro, conforme reportado pelo portal República do Povo. O Brasil e os EUA, no entanto, também têm buscado fortalecer laços estratégicos com foco em soberania e combate ao crime organizado, como destacado em outra matéria do mesmo veículo. O Conselhão surge, assim, como um fórum para alinhar a resposta do país a pressões externas, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) participa de um painel à tarde para debater a agenda internacional e caminhos convergentes para o desenvolvimento econômico, social e sustentável.

Além do tema tarifário, a reunião também apresentará resultados dos trabalhos dos conselheiros e um balanço das ações do colegiado desde sua reconstituição. O Conselhão reúne setores da sociedade civil de diversas frentes para tratar de grandes temas da atualidade, e a defesa da soberania nacional deve ser o fio condutor dos debates, especialmente diante da escalada protecionista dos EUA.

Combate ao feminicídio ganha destaque

Durante o encontro, está prevista a apresentação de uma cartilha elaborada por membros do Conselhão intitulada “Manual Mulheres Protegidas”, voltada ao enfrentamento ao feminicídio. O manual organiza fundamentos teóricos, evidências, diretrizes de gestão e instrumentos operacionais para orientar políticas públicas de prevenção, com foco na proteção integral das mulheres, na atuação coordenada do Estado e na corresponsabilidade social. “Em geral, não se trata de evento imprevisível ou isolado. A maior parte dos casos é precedida por sinais de escalada, pedidos de ajuda, ameaças, controle coercitivo, violência psicológica, agressões físicas, perseguição, ruptura relacional, descumprimento de medidas protetivas ou omissões institucionais”, destaca o documento, que defende o deslocamento do centro de gravidade da resposta posterior ao crime para a prevenção ativa.

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