O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), indicou a interlocutores que aguarda um movimento de reaproximação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para destravar projetos do governo parados na Casa. Aliados dos dois lados estão tentando viabilizar esse encontro para antes de o presidente viajar, na próxima semana, para a reunião da Cúpula do G7, na França. O G7 é um bloco informal de democracias industrializadas que se reúne anualmente para discutir questões e preocupações compartilhadas. Os presidentes da República e do Senado não têm um encontro desde o ano passado.
A rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi o ápice de distanciamento na relação dos dois. Com isso, projetos importantes do governo estão parados no Senado, além de haver o risco de aprovação de pautas-bomba que podem gerar um custo nos próximos anos de R$ 270 bilhões. “Pautas-bomba” são propostas legislativas que ampliam gastos ou reduzem receitas do governo, com impacto relevante sobre as contas públicas, dificultando o cumprimento das metas fiscais e o controle do déficit.
Reunião com ministros e sinais de reaproximação
Em reunião feita na manhã desta terça-feira (9), Alcolumbre e o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, discutiram a relação entre os poderes. Interlocutores ligadas ao presidente do Senado apontam que ficou evidente que o Palácio do Planalto carrega uma extensa lista de projetos prioritários na Casa, mas que a atual falta de entendimento direto entre Lula e Alcolumbre inviabiliza o avanço dos temas neste ano eleitoral. Pessoas próximas aos dois lados reconhecem a necessidade de alinhar interesses comuns, com o relato de uma fonte resumindo a urgência das tratativas: “A situação ficou assim: ou conversa ou conversa. Não cabe mais essa falta de diálogo”.
Ainda na tarde desta terça, o movimento do governo em direção ao comando do Senado ganhou um segundo capítulo. O ministro da Fazenda, Dário Durigan, afirmou que o país “não suporta” o impacto fiscal das chamadas “pautas-bomba” em discussão no Congresso Nacional. As propostas podem gerar um custo superior a R$ 270 bilhões às contas públicas. Durigan levou a preocupação da equipe econômica ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com quem se reuniu nesta tarde. A ida de dois ministros palacianos a Alcolumbre é vista por aliados como um sinal claro de que Lula está pavimentando o terreno para a conversa direta. Logo depois, na sessão do Senado, Alcolumbre sinalizou que não pretende pautar os projetos que geram esse impacto fiscal sem antes um alinhamento político com o governo.
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