O setor de serviços, que reúne atividades essenciais como transporte, turismo, restaurantes, salões de beleza, internet e tecnologia da informação (TI), registrou crescimento de 1,2% na passagem de março para abril, interrompendo uma sequência de seis meses consecutivos de estabilidade ou queda. O dado, divulgado nesta quinta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Mensal de Serviços, representa a maior alta mensal desde outubro de 2024, quando o setor havia crescido 1,3%. Em março, o desempenho havia recuado 1,1%, e nos meses anteriores – fevereiro e janeiro – o índice ficou em 0%, enquanto dezembro e novembro registraram quedas de 0,3% e 0,1%, respectivamente.
Na comparação com abril de 2025, o setor apresentou expansão de 1,9%, e no acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento é de 2,9%. Apesar do alívio, o analista do IBGE Rodrigo Lobo pondera que os dados de abril colocam o setor no mesmo patamar do fechamento de 2025, sem que seja possível afirmar uma mudança consistente de tendência. “O setor de serviços se mantém operando em patamar elevado, apenas 0,3% abaixo do topo da série, alcançado em outubro de 2025, mas sem uma trajetória muito bem definida, seja ascendente ou descendente”, afirmou Lobo, em nota oficial.
Panorama político e econômico
O resultado positivo do setor de serviços ocorre em meio a um cenário de desafios fiscais e pressões externas sobre a economia brasileira. Enquanto o governo federal discute medidas para estimular o crédito e a atividade, como a proposta do vice-presidente Geraldo Alckmin de um projeto de lei urgente para liberar R$ 4 bilhões do FGTS às Santas Casas, o país também enfrenta tensões comerciais com os Estados Unidos, que acusam o Brasil de favorecer o sistema de pagamentos Pix em detrimento de gigantes como Mastercard e Visa. Ao mesmo tempo, as contas públicas registraram superávit de R$ 24,6 bilhões em abril, mas a dívida bruta subiu para 80,4% do PIB, sinalizando a necessidade de equilíbrio entre estímulo e responsabilidade fiscal.
O desempenho do setor de serviços é acompanhado de perto por analistas, pois responde por cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e emprega milhões de trabalhadores formais e informais. A alta de abril, embora pontual, pode indicar uma retomada gradual da confiança de consumidores e empresários, especialmente em áreas como turismo e tecnologia, que vêm sendo impulsionadas por investimentos em digitalização e pela retomada de eventos presenciais. No entanto, a ausência de uma trajetória clara de crescimento – com o setor ainda 0,3% abaixo do pico histórico de outubro de 2025 – sugere que a recuperação pode ser lenta e sujeita a oscilações.
O IBGE também destacou que, na comparação entre meses imediatamente seguidos, a última alta antes de abril havia sido registrada em outubro de 2025, com expansão de 0,3%, quando o setor alcançou o nível mais alto da série histórica iniciada em janeiro de 2011. Desde então, o setor vinha acumulando resultados negativos ou nulos, o que torna o dado de abril um alívio, mas não necessariamente uma virada de jogo. A pesquisa completa pode ser acessada no site do IBGE.
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