A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta semana, o uso experimental da polilaminina para tratar Ana Beatriz Stubinski, de 22 anos, que sofreu fraturas na coluna após ser atingida por um galho de árvore no Paraná. A família confirmou a liberação do biofármaco, que ainda não possui registro no país, em uma decisão que envolve critérios de urgência médica e acesso a tratamentos inovadores. O caso reacende o debate sobre os limites da regulação sanitária e a pressão por alternativas terapêuticas para pacientes com lesões medulares graves.
A autorização foi concedida após análise de pedido baseado em legislação que permite o uso compassivo de medicamentos experimentais em situações de risco iminente de vida ou de sofrimento intenso. Ana Beatriz sofreu o acidente em junho, quando um galho de árvore caiu sobre ela durante uma tempestade na região metropolitana de Curitiba. O trauma resultou em lesão medular completa, deixando-a sem movimentos dos membros inferiores. A polilaminina, desenvolvida por pesquisadores brasileiros, é uma substância que estimula a regeneração neural e já havia mostrado resultados promissores em estudos pré-clínicos com animais.
O caso ganhou repercussão nacional e mobilizou familiares, médicos e parlamentares em busca de agilidade na liberação. A decisão da Anvisa, embora pontual, levanta questionamentos sobre a demora na aprovação de terapias inovadoras no Brasil e o papel do Estado em garantir acesso a tratamentos experimentais para pacientes sem alternativas. Especialistas apontam que a polilaminina ainda precisa passar por ensaios clínicos de fase avançada para comprovar segurança e eficácia em humanos, mas a autorização individualizada abre precedentes para outros casos semelhantes.
O panorama político e regulatório em torno do caso reflete tensões entre a necessidade de inovação e a proteção dos pacientes. A Anvisa, sob pressão de grupos de defesa dos direitos dos pacientes e de setores da comunidade científica, tem adotado medidas para acelerar a análise de pedidos de uso compassivo, mas enfrenta críticas tanto de quem defende maior rigor quanto de quem cobra mais celeridade. Enquanto isso, Ana Beatriz aguarda a aplicação do biofármaco, que deve ocorrer nos próximos dias em um hospital de referência no Paraná, sob supervisão de uma equipe multidisciplinar.
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