Nova fase da Operação Compliance Zero atinge Banco Master, senador e banqueiro em esquema bilionário

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (26) uma nova fase da Operação Compliance Zero, ampliando as investigações sobre supostas fraudes financeiras e crimes ligados ao escândalo envolvendo o Banco Master. A ação, que cumpre mandados judiciais em três estados, mira um esquema bilionário que teria desviado recursos públicos e privados, com ramificações políticas que atingem o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o banqueiro Augusto Lima, controlador da instituição financeira.

As investigações, conduzidas pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal, apontam para um complexo sistema de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, e organização criminosa. Os mandados, expedidos pela Justiça Federal, incluem buscas e apreensões em endereços ligados aos investigados nos estados da Bahia, Distrito Federal e Goiás. O esquema, segundo a PF, teria movimentado valores superiores a R$ 1 bilhão nos últimos anos, envolvendo operações de crédito fraudulentas e contratos superfaturados com empresas de fachada.

Panorama político e econômico do caso

O escândalo do Banco Master ganhou contornos nacionais após revelações de que o banco teria sido usado como instrumento para financiar campanhas eleitorais e pagar propinas a agentes públicos. A nova fase da operação, que já havia mirado o ex-ministro Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL) em etapas anteriores, agora atinge diretamente o senador Jaques Wagner, líder do governo no Congresso, e o banqueiro Augusto Lima. A ampliação das investigações reflete a complexidade do caso, que envolve uma rede de influência política que inclui ao menos 11 parlamentares de diferentes partidos, conforme documentos obtidos pela PF.

O Banco Master, que já foi alvo de intervenção do Banco Central em 2024, é acusado de operar como um verdadeiro “caixa dois” para políticos e empresários. As investigações apontam que o banco concedia empréstimos vultosos sem garantias reais, que posteriormente eram convertidos em doações eleitorais ou pagamentos a servidores públicos. A PF também investiga a participação de lobistas e intermediários financeiros que atuavam para ocultar a origem dos recursos. O impacto do caso já gerou reações no meio político, com pedidos de explicações e abertura de comissões parlamentares de inquérito no Congresso Nacional.

Em nota oficial, a Polícia Federal informou que as investigações continuam em sigilo, mas que novas fases podem ser deflagradas nos próximos meses. O senador Jaques Wagner, por meio de sua assessoria, negou qualquer envolvimento com irregularidades e afirmou que colaborará com as investigações. Já o banqueiro Augusto Lima não se manifestou até o fechamento desta reportagem. O caso reacende o debate sobre a regulação do sistema financeiro e a necessidade de maior transparência nas operações bancárias, especialmente aquelas que envolvem recursos públicos.

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