A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que envie à primeira instância a investigação sobre a chamada Abin paralela, esquema que teria utilizado a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar autoridades, jornalistas e adversários políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A manifestação foi enviada nesta quinta-feira (18) pelo procurador-geral, Paulo Gonet, ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.
De acordo com a PGR, a medida visa garantir que a apuração siga o rito processual adequado, já que, com a saída de Bolsonaro da Presidência, apenas ele mantém foro privilegiado no STF. Os demais investigados, incluindo ex-integrantes do governo e servidores da Abin, perderam essa prerrogativa e devem responder perante a Justiça Federal de primeira instância. A decisão final caberá ao ministro Alexandre de Moraes, que poderá acolher ou não o pedido.
Detalhes do esquema e impacto político
A investigação apura a existência de uma estrutura paralela dentro da Abin que, segundo as apurações, teria sido usada para espionar ilegalmente adversários políticos, jornalistas e até mesmo ministros do STF. O esquema, que teria operado durante o governo Bolsonaro, envolve o uso de sistemas de monitoramento sem autorização judicial, o que configura crime de interceptação telefônica e violação de sigilo funcional. A PGR destaca que o caso tem grande repercussão para a democracia brasileira, pois envolve o uso de um órgão de Estado para fins políticos.
O pedido de envio à primeira instância ocorre em meio a um cenário de tensão política, com investigações paralelas sobre atos golpistas e ataques às instituições. A decisão do STF sobre o foro privilegiado de Bolsonaro pode redefinir a responsabilidade penal dos envolvidos, já que, na primeira instância, o processo tende a ser mais célere e com menos recursos processuais. Além disso, a transferência pode abrir caminho para que outros investigados, como ex-assessores e militares, sejam julgados sem a proteção do foro especial.
Panorama político e reações
A solicitação da PGR ocorre em um momento em que o STF também analisa outros casos de grande impacto, como o julgamento de recursos de Bolsonaro contra a perda de patente militar, marcado para junho pelo Superior Tribunal Militar (STM). Paralelamente, a Justiça determinou a prisão de um jornalista perseguido pela ex-deputada Carla Zambelli (PL) em caso de difamação, evidenciando a complexidade do cenário jurídico-político brasileiro. A decisão de Alexandre de Moraes sobre o caso da Abin paralela é aguardada com expectativa por analistas políticos, que veem no episódio um teste para a independência do Judiciário e para a responsabilização de agentes públicos por desvios de conduta.
Fonte: ver noticia original

