O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a gerar polêmica ao fazer uma brincadeira sobre a convocação do atacante Neymar para a Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo de 2026. Em evento em Belo Horizonte (MG), nesta sexta-feira (19), Lula afirmou que o jogador é “o primeiro convocado home office do mundo”, arrancando risos da plateia. A declaração ocorre em meio à recuperação de Neymar de uma lesão na panturrilha, que o afastou dos gramados nas primeiras rodadas do torneio. O episódio reacendeu a memória de um caso semelhante ocorrido há 20 anos, quando o presidente questionou se o ex-atacante Ronaldo Fenômeno estava “gordo”, gerando forte repercussão na época.
A brincadeira com Neymar aconteceu durante um discurso sobre igualdade de gênero. Lula perguntou a uma criança se ela conhecia a jogadora Marta, seis vezes eleita a melhor do mundo. Ao ouvir que não, o presidente questionou quem era o melhor jogador da Seleção atualmente. A criança respondeu “Neymar”, ao que Lula retrucou que o atacante “nem está jogando”. Em seguida, mencionou uma postagem que viu nas redes sociais: “Eu vi uma coisa ontem, que o Neymar é o primeiro convocado home office do mundo. Jogador home office. Isso eu vi na internet ontem. Eu acho que qualquer dia a gente vai ter que fazer uma seleção na inteligência artificial: 11 Pelés”, completou o petista, em tom de ironia.
O episódio ocorre em um momento de tensão para a Seleção Brasileira, que empatou com o Marrocos na estreia da Copa e enfrenta o Haiti nesta sexta-feira, às 21h30, com transmissão da TV Globo. Neymar, embora já tenha voltado a treinar com bola, não deve entrar em campo. A declaração de Lula gerou reações mistas nas redes sociais, com críticas à postura do presidente em relação a um dos principais jogadores do país e defesas de que se tratou apenas de uma brincadeira.
Antecedentes: a polêmica com Ronaldo Fenômeno
Não é a primeira vez que Lula faz comentários sobre o peso ou a forma física de um jogador da Seleção. Em junho de 2006, durante a Copa do Mundo da Alemanha, o presidente participou de uma videoconferência com a comissão técnica e os jogadores. Na ocasião, perguntou ao técnico Carlos Alberto Parreira se Ronaldo Fenômeno estava gordo. “De vez em quando, encontro com o Ronaldo e sei que ele está magro. Mas vira e mexe a gente lê na imprensa brasileira que Ronaldo está gordo. Afinal de contas, ele está gordo ou não está gordo?”, indagou Lula.
O questionamento gerou forte polêmica e levou Ronaldo a rebater publicamente. Em pronunciamento, o atacante disse: “Todo mundo diz que ele bebe para caramba. Tanto é mentira que eu sou gordo, como deve ser mentira que ele bebe para caramba”. Um dia depois, no entanto, Ronaldo afirmou que o episódio estava superado, após receber uma carta do presidente. “A carta do presidente foi muito boa e mostrou que ele entendeu o que eu quis dizer. Nem sempre o que é dito a nosso respeito corresponde à verdade. Para mim, o episódio está mais do que superado”, declarou o jogador na época.
Panorama político e esportivo
As declarações de Lula sobre atletas da Seleção Brasileira ocorrem em um contexto de forte intersecção entre política e futebol no Brasil. O presidente, conhecido por seu envolvimento com o esporte, já utilizou o futebol como ferramenta de aproximação com a população. No entanto, os episódios com Neymar e Ronaldo mostram como comentários aparentemente informais podem gerar crises de imagem e debates sobre o papel do chefe de Estado em relação aos esportistas.
Enquanto a Seleção busca se recuperar na Copa do Mundo, a brincadeira de Lula com Neymar levanta questões sobre a pressão midiática e política sobre os jogadores. O atacante, que enfrenta lesões e críticas recorrentes, agora lida também com a exposição gerada pelo presidente. O episódio com Ronaldo, há 20 anos, serviu como alerta sobre os limites entre a informalidade e o respeito à privacidade dos atletas. Resta saber se a polêmica atual terá desdobramentos semelhantes ou se será rapidamente esquecida, como ocorreu no passado.
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