Foragido por tiroteio em campanha de 2022 é capturado na Bolívia em ação conjunta da PF

A Polícia Federal anunciou nesta sexta-feira (19) a prisão de um foragido brasileiro em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, resultado de uma operação conjunta com as autoridades locais. O homem é acusado de participação no tiroteio ocorrido em 2022 na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo, durante um evento de campanha do então candidato ao governo do estado, Tarcísio de Freitas. A ação foi coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em São Paulo (Ficco/SP), que rastreou o paradeiro do suspeito e o comunicou às forças de segurança bolivianas.

O tiroteio, que aconteceu a poucas semanas das eleições de 2022, resultou na morte de um homem de 27 anos e gerou forte comoção na região. Na época, a visita de Tarcísio de Freitas a Paraisópolis foi suspensa após o incidente. No entanto, investigações conduzidas pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo descartaram a hipótese de que o ataque tivesse motivação política ou fosse direcionado à campanha eleitoral. As apurações apontaram para um conflito entre grupos criminosos locais, sem ligação direta com o pleito.

Atuação integrada contra o crime organizado

A prisão do foragido foi possível graças ao trabalho da Ficco/SP, que reúne a Polícia Federal, a Secretaria Nacional de Políticas Penais, a Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo e a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo. Essa força-tarefa tem como objetivo principal o enfrentamento às organizações criminosas, atuando de forma coordenada em todo o estado. O suspeito foi localizado em Santa Cruz de La Sierra, a cidade mais populosa da Bolívia, que tem enfrentado a presença de membros da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

O caso reforça a importância da cooperação internacional no combate ao crime organizado, especialmente em regiões de fronteira. A prisão na Bolívia demonstra a capilaridade das investigações e a capacidade de articulação entre as forças de segurança brasileiras e estrangeiras. O foragido agora aguarda os trâmites legais para ser extraditado ao Brasil, onde responderá pelos crimes cometidos durante o tiroteio em Paraisópolis.

O episódio de 2022, embora não tenha sido um ataque político, expôs a vulnerabilidade de áreas periféricas durante períodos eleitorais e a necessidade de reforço na segurança de eventos públicos. A comunidade de Paraisópolis, uma das maiores favelas de São Paulo, voltou a ser palco de tensões que envolvem a disputa territorial entre facções criminosas, um problema recorrente em diversas regiões metropolitanas do país.

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