O Governo de Alagoas vai gastar cerca de R$ 3 milhões a cada quilômetro de asfalto no município de São José da Laje, conforme revelou o Blog Kleverson Levy. O valor, que representa o dobro da média nacional para obras de pavimentação, acendeu alerta entre especialistas e parlamentares sobre a eficiência dos gastos públicos no estado e a necessidade de maior transparência nos contratos de infraestrutura.
O montante de R$ 3 milhões por quilômetro foi obtido a partir de dados oficiais do próprio governo estadual, que não detalhou os critérios técnicos para justificar o custo elevado. Em comparação, a média nacional para pavimentação asfáltica gira em torno de R$ 1,2 milhão a R$ 1,5 milhão por quilômetro, considerando obras similares em regiões de topografia plana e com acesso logístico adequado, como é o caso de São José da Laje, situado na Zona da Mata alagoana.
Panorama político e econômico
A revelação ocorre em meio a um cenário de pressão sobre as contas públicas estaduais, com o governo de Alagoas enfrentando questionamentos sobre a alocação de recursos em obras de infraestrutura. O custo elevado por quilômetro de asfalto em São José da Laje contrasta com a média de estados vizinhos e com o próprio histórico de obras do estado, que já foi alvo de auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério Público Federal (MPF) por suspeitas de superfaturamento em contratos de pavimentação.
Parlamentares da oposição na Assembleia Legislativa de Alagoas já anunciaram que vão requerer a abertura de uma comissão para investigar os custos da obra, enquanto entidades de controle social, como a Transparência Alagoas, pedem a divulgação integral do contrato e dos estudos técnicos que embasaram o valor. A situação também reacende o debate sobre a priorização de investimentos em infraestrutura no estado, que enfrenta déficits históricos em saneamento básico e habitação.
O governo estadual, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente sobre os valores, mas fontes internas indicam que o custo pode incluir serviços adicionais, como drenagem, sinalização e terraplanagem em trechos de relevo acidentado. No entanto, a ausência de um detalhamento público alimenta a desconfiança e reforça a necessidade de maior controle social sobre os gastos públicos.
Enquanto isso, a população de São José da Laje aguarda a conclusão da obra, que promete melhorar a mobilidade urbana e o escoamento da produção agrícola local, mas o alto custo por quilômetro levanta dúvidas sobre a real eficiência do investimento e sobre a capacidade do estado de gerir recursos públicos de forma responsável.
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