Operação Compliance Zero: PF apreende relógios, dólares e euros em endereços de Jaques Wagner

A Polícia Federal (PF) deflagrou na última quinta-feira (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero, resultando na apreensão de dinheiro em espécie e itens de alto valor em endereços ligados ao senador Jaques Wagner (PT-BA), localizados em Brasília e na Bahia. A ação, que integra um conjunto de investigações sobre possíveis desvios e irregularidades financeiras, reforça o escopo da operação que já mirava outros agentes públicos e privados nos últimos meses.

Entre os materiais apreendidos, destacam-se relógios de luxo, dólares e euros, além de outros objetos de valor não especificados pela corporação. A PF não divulgou o montante total dos valores confiscados, mas a ação ocorre em um contexto de ampliação das investigações sobre o financiamento de campanhas e a movimentação de recursos suspeitos no âmbito político nacional.

Contexto da Operação Compliance Zero

A Operação Compliance Zero foi iniciada em 2023 e tem como foco principal apurar crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, envolvendo agentes públicos e empresários. A nona fase, batizada de “Compliance Zero 9”, concentrou-se em endereços ligados a Jaques Wagner, ex-governador da Bahia e atual senador, que já foi alvo de outras investigações no passado, mas sem condenações definitivas.

As apreensões ocorreram simultaneamente em residências e escritórios do senador, tanto na capital federal quanto em Salvador. A PF informou que os materiais serão periciados e poderão servir como provas para aprofundar as apurações sobre a origem dos recursos e possíveis vínculos com esquemas de corrupção.

Repercussão política e jurídica

A ação gerou reações imediatas no cenário político. Enquanto aliados de Wagner classificaram a operação como “exagerada” e “politicamente motivada”, adversários pedem transparência e rigor nas investigações. O senador, por meio de sua assessoria, afirmou que “todas as suas posses são lícitas” e que “colaborará plenamente com as autoridades”.

Especialistas em direito penal destacam que a apreensão de valores em espécie e itens de luxo é comum em operações desse tipo, mas ressaltam a necessidade de comprovação de vínculo com atividades ilícitas. “A posse de dólares e euros não é crime por si só, mas pode indicar movimentações atípicas que precisam ser esclarecidas”, afirmou o advogado criminalista Carlos Mendes, em entrevista ao portal.

A Polícia Federal não descarta novas fases da operação, que já resultou em prisões e afastamentos de cargos públicos em edições anteriores. O caso segue sob sigilo judicial, mas a expectativa é de que novos detalhes sejam revelados nos próximos dias.

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