A Polícia Federal deflagrou na última quinta-feira (19) a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A corporação investiga um possível vínculo entre o entorno familiar do parlamentar e supostos desvios em contratos públicos, ampliando o escopo de uma das maiores operações contra corrupção no país.
De acordo com informações da própria PF, a nova fase da operação busca aprofundar as investigações sobre esquemas de fraudes em licitações e desvios de recursos públicos que já resultaram em prisões e buscas em fases anteriores. A ação desta quinta-feira incluiu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador e a pessoas próximas a ele, mas não houve prisão de Jaques Wagner até o momento.
O que está em jogo na 9ª fase da Compliance Zero
A Operação Compliance Zero foi iniciada em 2023 e já teve oito fases anteriores, todas focadas em investigar contratos suspeitos em órgãos públicos, especialmente nas áreas de saúde e infraestrutura. A nona fase, batizada de “Vínculo Familiar” por fontes internas da PF, mira especificamente a relação de parentes do senador com empresas que teriam sido beneficiadas por contratos superfaturados.
O senador Jaques Wagner, que exerceu mandatos como governador da Bahia e ministro de Estado, é um dos principais articuladores do governo no Congresso. Sua liderança no Senado torna o caso especialmente sensível no cenário político nacional, uma vez que a operação ocorre em meio a debates sobre a independência do Judiciário e a atuação da PF contra figuras do alto escalão.
Panorama político e reações
A ação da PF gerou reações imediatas no meio político. Aliados do senador classificaram a operação como “exagerada” e “politicamente motivada”, enquanto adversários pedem investigação aprofundada. O governo federal, por meio de nota, afirmou que “respeita as investigações” e que “confia na Justiça”. Já a oposição, liderada por parlamentares do PL e do PP, usou o caso para criticar a gestão petista e pedir a saída de Jaques Wagner da liderança do governo.
Especialistas em direito público ouvidos pela reportagem destacam que, embora a operação seja um sinal de que a PF mantém sua atuação independente, o foco em um líder governista pode intensificar a crise política entre os Poderes. “A operação não é contra o partido, mas contra pessoas específicas. No entanto, o timing e o alvo mostram que a PF não está imune a pressões”, avalia o cientista político Carlos Melo, do Insper.
Os 5 pontos principais da operação
Para entender o caso, a reportagem organizou os cinco pontos centrais divulgados pela PF:
1. Alvo principal: O senador Jaques Wagner (PT-BA) é investigado por suposto envolvimento em esquema de desvios em contratos públicos, com foco em vínculos familiares.
2. Mandados cumpridos: Foram executados mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador e a seus familiares, mas não houve prisão.
3. Contexto da operação: A 9ª fase da Operação Compliance Zero amplia investigações iniciadas em 2023 sobre fraudes em licitações e superfaturamento em contratos de saúde e infraestrutura.
4. Repercussão política: O caso gerou divisão no Congresso, com aliados defendendo o senador e oposição pedindo investigação e possível afastamento da liderança do governo.
5. Próximos passos: A PF deve analisar os materiais apreendidos e ouvir testemunhas nos próximos dias. O senador ainda não se manifestou oficialmente sobre as acusações.
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