Um levantamento conduzido pelo cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), revela que 70% das eleições realizadas na América Latina desde 2023 foram vencidas por candidatos que colocaram a segurança pública como tema central de suas campanhas. O dado, publicado originalmente pela Folha de S.Paulo em 23 de junho de 2026, aponta uma tendência regional de ascensão da pauta securitária como fator decisivo nas urnas, impactando desde disputas presidenciais até pleitos legislativos e municipais.
O estudo de Murilo Medeiros analisou um conjunto de processos eleitorais em países como Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Equador, entre outros. Em todos os casos, a segurança pública emergiu como o tema mais citado em debates, programas de governo e propagandas eleitorais, superando questões econômicas e sociais que historicamente dominavam as agendas. O pesquisador destaca que o fenômeno não se restringe a um espectro ideológico específico, mas reflete uma demanda generalizada da população por respostas à violência urbana, ao crime organizado e à sensação de impunidade.
Panorama político e impacto regional
A ascensão da segurança como tema central ocorre em um contexto de crise de confiança nas instituições de segurança pública em toda a América Latina. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e de organismos internacionais, como a ONU, indicam que a região concentra algumas das maiores taxas de homicídio do mundo, com destaque para Venezuela, Honduras e Brasil. Essa realidade pressiona governos e candidatos a apresentarem propostas concretas, muitas vezes com viés punitivista, como endurecimento de penas, aumento do efetivo policial e uso de forças armadas em operações de segurança.
O levantamento de Medeiros também aponta que, em 70% dos casos, os candidatos que priorizaram a segurança pública conseguiram não apenas vencer, mas também ampliar suas bases de apoio entre eleitores de diferentes classes sociais e regiões. Em países como Colômbia e Equador, por exemplo, a pauta securitária foi usada para unir setores tradicionalmente divididos, como centro-direita e centro-esquerda, em torno de políticas de combate ao narcotráfico e às milícias. Já no Brasil, a segurança pública foi o tema mais mencionado em pesquisas de intenção de voto para as eleições de 2026, superando saúde e educação.
O pesquisador ressalta que o fenômeno não é isolado e reflete uma tendência global, mas com particularidades latino-americanas. “A segurança pública deixou de ser um tema secundário para se tornar o principal motor de campanhas eleitorais na região. Isso tem implicações profundas para a democracia, pois pode levar à adoção de políticas de exceção e ao fortalecimento de discursos autoritários”, alerta Murilo Medeiros em entrevista à Folha de S.Paulo. O estudo completo, que inclui dados detalhados por país e tipo de eleição, deve ser publicado em breve em periódico acadêmico.
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