Após atrito público, Michelle Bolsonaro nega ‘briga’ com Flávio e pede união para ‘derrotar desgoverno’

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (25), nas redes sociais, que não tem “raiva de ninguém” e pediu união entre aliados para “derrotar o atual desgoverno”, após expor publicamente um atrito com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, em meio a divergências sobre as alianças do PL no Ceará. “Vamos todos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno. Não há briga, nem competição”, escreveu Michelle em um story no Instagram, tentando conter a crise interna que expôs rachas na base bolsonarista.

Na publicação, Michelle também disse ter apenas esclarecido uma situação que, segundo afirmou, estava sendo “deturpada”, e pediu que trechos de sua fala não fossem retirados de contexto. O episódio ocorre depois de Michelle criticar a aproximação do PL com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. A ex-primeira-dama defende apoio ao senador Eduardo Girão (Novo) ao governo estadual e à deputada Priscila Costa (PL) para o Senado. Já dirigentes do PL afirmam que a articulação com Ciro teve aval de Jair Bolsonaro e que o partido não deve recuar do apoio ao ex-governador.

Na quarta-feira (24), Michelle publicou vídeos em que relatou ter sido maltratada por Flávio após discordar da estratégia da sigla no estado. Após a repercussão, Flávio negou ter tido intenção de ofender Michelle e disse estar de “coração aberto”. O senador também pediu desculpas publicamente à ex-primeira-dama. O episódio expõe as tensões internas no PL, que busca consolidar alianças regionais para as eleições de 2026, enquanto figuras de peso do bolsonarismo divergem sobre os rumos estratégicos.

O racha no Ceará reflete um cenário mais amplo de disputa por influência dentro do partido, especialmente entre a ala mais ideológica, representada por Michelle, e a ala pragmática, liderada por Flávio e outros dirigentes. Enquanto Michelle defende uma postura mais alinhada aos valores conservadores e à base fiel de Bolsonaro, Flávio busca ampliar o leque de alianças para fortalecer a candidatura presidencial. A crise, no entanto, foi temporariamente contida com as declarações públicas de reconciliação, mas analistas apontam que o episódio pode ter consequências duradouras na coesão do grupo.

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