Receitas Extraordinárias do Petróleo Amenizam Impacto da Crise Global nos Combustíveis no Brasil

O governo federal utilizou receitas extraordinárias obtidas com a alta na cotação internacional do petróleo para financiar políticas que amenizaram os efeitos da crise energética global sobre os preços dos combustíveis no Brasil, conforme declarou o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, nesta sexta-feira (26), durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do Canal Gov. A estratégia, segundo o ministro, permitiu que o país se destacasse internacionalmente como um dos menos impactados pela escalada de preços decorrente dos conflitos entre EUA e Irã, garantindo que a população não arcasse integralmente com os custos de uma guerra que não provocou.

Moretti explicou que o Brasil, por ser um exportador líquido de petróleo, viu suas receitas aumentarem proporcionalmente à elevação das cotações globais. Esses recursos extras foram direcionados para custear ações que reduziram o peso da crise sobre os consumidores brasileiros. “Usamos essa receita extraordinária para custear uma série de ações que mitigaram o impacto da guerra para a nossa população. Quando olhamos em perspectiva internacional, hoje o Brasil é um dos países menos afetados pelos efeitos desse cenário”, declarou o ministro, reforçando que a estratégia foi “um sucesso” ao repassar os lucros extras à sociedade.

A declaração ocorre em um contexto de pressão sobre os preços dos combustíveis, que impactaram diretamente o comércio varejista — as vendas no setor recuaram 1,5% em abril, conforme dados da Agência Brasil. Paralelamente, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) realizou 21 autuações por preço abusivo de combustível nos últimos três meses, evidenciando a fiscalização do mercado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também afirmou monitorar diariamente os valores, sinalizando a prioridade do tema na agenda governamental.

O ministro destacou que, em termos de reajustes percentuais, o impacto no Brasil foi “muito mais baixo” do que em outras nações, atribuindo o resultado à capacidade do Estado de usar sua posição de sócio indireto na dinâmica do petróleo para beneficiar a população. “Não seria justo o Estado brasileiro, sendo sócio, ainda que indireto, dessa dinâmica, ficar mais rico enquanto a população fica mais pobre”, afirmou Moretti, reforçando o caráter redistributivo da medida. A estratégia, segundo ele, foi bem-sucedida ao equilibrar a arrecadação extraordinária com a necessidade de proteger o poder de compra dos brasileiros em meio a um cenário global adverso.

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