Conar suspende propaganda abusiva de bets na CazéTV durante a Copa do Mundo

O Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) emitiu uma liminar que suspende, com efeito imediato, as propagandas consideradas abusivas de casas de apostas (bets) veiculadas pela CazéTV durante as transmissões da Copa do Mundo. A decisão, tomada em caráter urgente, atinge anúncios que, segundo o órgão, desrespeitam normas de responsabilidade social e proteção ao consumidor, especialmente em um evento de grande audiência como o torneio mundial de futebol.

A liminar foi motivada por denúncias de que as propagandas exibidas pela CazéTV incentivavam o jogo de forma desmedida, sem alertas claros sobre os riscos de perdas financeiras e sem respeitar os limites éticos previstos no Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária. O Conar destacou que a exposição massiva de anúncios de bets durante a Copa, um dos eventos esportivos mais assistidos do planeta, pode normalizar o comportamento de risco entre os telespectadores, incluindo crianças e adolescentes.

Impacto da decisão e reações do mercado

A medida do Conar ocorre em um contexto de crescente pressão social e política para regulamentar o setor de apostas esportivas no Brasil. Nos últimos meses, parlamentares e entidades de defesa do consumidor têm cobrado ações mais rigorosas contra a publicidade abusiva de bets, que se multiplicou em canais de televisão, plataformas digitais e eventos esportivos. A liminar contra a CazéTV, que detém os direitos de transmissão da Copa do Mundo para o público digital, representa um marco na fiscalização do setor.

Fontes do Conar informaram que a decisão foi baseada em análises técnicas que identificaram violações aos artigos 27 e 28 do Código de Autorregulamentação, que tratam da responsabilidade social e da proteção de menores. A CazéTV, por sua vez, ainda não se manifestou oficialmente sobre a liminar, mas fontes internas indicam que a empresa estuda recorrer da decisão. O caso reacende o debate sobre a necessidade de uma legislação federal específica para o setor de apostas, que atualmente opera em um vácuo regulatório.

Panorama político e regulatório

A suspensão das propagandas de bets na CazéTV ocorre em meio a discussões no Congresso Nacional sobre o Projeto de Lei 3.626/2023, que propõe regras mais rígidas para a publicidade de jogos de azar e apostas esportivas. O texto, em tramitação na Câmara dos Deputados, prevê a proibição de anúncios em horários de proteção à infância e a obrigatoriedade de mensagens de alerta sobre os riscos do jogo. A liminar do Conar pode acelerar a aprovação da proposta, que enfrenta resistência de setores ligados às empresas de apostas.

Além disso, a decisão do Conar reforça o papel do órgão como autorregulador do mercado publicitário, em um momento em que as big techs e plataformas digitais ampliam sua participação no setor. Recentemente, o Google se tornou a primeira grande empresa de tecnologia a integrar o Conar, sinalizando uma tendência de maior adesão às regras de autorregulamentação. A liminar contra a CazéTV, portanto, não apenas impacta a transmissão da Copa, mas também estabelece um precedente para futuras ações contra propagandas abusivas em plataformas digitais.

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a medida do Conar é um passo importante para proteger consumidores, mas alertam que a autorregulamentação tem limites. “Sem uma lei federal clara, o Conar atua como um freio de emergência, mas não substitui a necessidade de regulação estatal”, afirmou o advogado especialista em direito do consumidor Carlos Mendes. A expectativa é que o caso sirva de catalisador para avanços legislativos no setor.

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