Nova diretoria da FecomercioSP assume em meio a debate sobre fim da escala 6×1 e críticas a beneficiários do Bolsa Família

A FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) passa por uma transição histórica: após 42 anos à frente da entidade, o empresário Abram Szajman deixou a presidência em maio, sendo sucedido por Ivo Dall’Acqua Júnior. O novo líder assume a representação de 1,8 milhão de empresários do setor justamente quando o país debate a mais profunda mudança nas relações de trabalho das últimas décadas: o fim da escala 6×1. Em suas primeiras declarações públicas, Dall’Acqua Júnior criticou duramente a proposta e questionou o direito de voto de quem recebe o Bolsa Família, gerando reações imediatas de entidades sindicais e movimentos sociais.

A declaração foi feita durante cerimônia de posse da nova diretoria, realizada em São Paulo, e repercutiu nos bastidores políticos. O novo presidente afirmou que “não é justo que quem nunca trabalhou decida sobre o trabalho de quem produz” e sugeriu que beneficiários de programas sociais não deveriam ter peso igual nas urnas sobre temas trabalhistas. A fala foi interpretada como um ataque direto à base de apoio do governo federal e reacendeu o debate sobre a representatividade democrática e a exclusão social.

Panorama político e econômico

A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força no Congresso Nacional nos últimos meses, com projetos de lei de diferentes espectros políticos. De um lado, centrais sindicais e movimentos de trabalhadores defendem a redução da jornada para melhorar a qualidade de vida e a produtividade. De outro, federações empresariais como a FecomercioSP alertam para o aumento de custos e a perda de competitividade, especialmente no comércio e no turismo, setores que empregam grande contingente de mão de obra em regime 6×1.

O Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do país, atende cerca de 21 milhões de famílias. A declaração de Dall’Acqua Júnior ocorre em um momento de acirramento do debate eleitoral, com as eleições presidenciais de 2026 se aproximando. Especialistas apontam que a fala pode polarizar ainda mais a discussão sobre direitos trabalhistas e políticas sociais, colocando em lados opostos o empresariado paulista e a base governista.

Em nota oficial, a FecomercioSP afirmou que a posição de seu presidente é pessoal e não reflete necessariamente o consenso da federação, mas reconheceu que o tema é “sensível e merece amplo debate”. Já o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social repudiou a declaração, classificando-a como “preconceituosa e antidemocrática”.

A transição na presidência da FecomercioSP marca também uma mudança geracional: Abram Szajman, de 84 anos, comandou a entidade desde 1984, período em que o Brasil passou por redemocratização, planos econômicos e crises sucessivas. Ivo Dall’Acqua Júnior, de 62 anos, é engenheiro e empresário do setor de serviços, e promete dar continuidade à defesa dos interesses do comércio, mas com um tom mais incisivo nas redes sociais e na mídia.

O debate sobre o fim da escala 6×1 deve se intensificar nas próximas semanas, com audiências públicas agendadas no Congresso e manifestações marcadas por sindicatos. A FecomercioSP já sinalizou que pretende apresentar estudos de impacto econômico e propor alternativas de flexibilização, como a negociação coletiva por setor. Enquanto isso, a fala sobre o Bolsa Família promete render novos capítulos na disputa política nacional.

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