Tentativa de feminicídio em Maceió: jovem com 90% do corpo queimado e protesto por UTI expõe crise na saúde pública

Uma tentativa brutal de feminicídio em Maceió deixou uma jovem com 90% do corpo queimado, internada no Hospital Geral do Estado (HGE), e gerou um protesto na noite desta quarta-feira (26) na região da Bomba do Gonzaga, onde familiares fecharam a via e cobraram o governador Paulo Dantas com gritos de “Paulo Dantas, cadê você?”, em meio ao clamor por um leito de UTI de alta complexidade que não chegava.

A vítima, cujo nome não foi divulgado pelas autoridades, foi atacada pelo ex-companheiro, que ateou fogo em seu corpo. O caso, registrado como tentativa de feminicídio, chocou a população pela violência extrema. A jovem foi socorrida e encaminhada ao HGE, onde permanece em estado gravíssimo, com queimaduras que atingem quase a totalidade do corpo. A demora na transferência para uma unidade especializada em queimados levou os familiares a protestar, bloqueando a via pública e exigindo uma resposta do governo estadual.

Protesto e cobrança ao governo

O protesto, que durou cerca de duas horas, contou com a participação de dezenas de pessoas, incluindo vizinhos e ativistas de direitos humanos. Os manifestantes ergueram faixas com frases como “Queremos UTI” e “Justiça pela jovem”, enquanto a Polícia Militar acompanhava a movimentação para evitar confrontos. A via foi liberada após a promessa de que a paciente seria transferida para um leito de alta complexidade em um hospital de referência, mas até o fechamento desta edição, a jovem seguia no HGE.

A situação expõe as fragilidades do sistema de saúde em Alagoas, especialmente no atendimento a vítimas de violência doméstica. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o estado registrou um aumento de 12% nos casos de feminicídio tentado em 2024, em comparação com o ano anterior. A falta de leitos de UTI especializados em queimados é um problema recorrente, que já havia sido denunciado por entidades médicas e movimentos sociais.

Panorama político e social

A cobrança direta ao governador Paulo Dantas ocorre em um momento de tensão política em Alagoas, com a base aliada rachada devido à indefinição sobre a candidatura majoritária do prefeito de Maceió, JHC, conforme noticiado pelo portal Republica do Povo. Enquanto isso, o governo estadual lançou recentemente um plano de igualdade racial com metas transversais, mas a crise na saúde pública, evidenciada por este caso, coloca em xeque a eficácia das políticas sociais. A reorganização da carreira fiscal, que abre caminho para novo concurso da SEFAZ, e a inauguração da Casa do Autista, com a presença de Marina Candia, são outras pautas que dividem a atenção do Executivo.

O caso também reacende o debate sobre a violência de gênero e a necessidade de políticas públicas mais efetivas. A jovem, que segue internada, é mais uma vítima de um ciclo de agressões que, muitas vezes, termina em tragédia. A polícia investiga o suspeito, que está foragido, e a população aguarda uma resposta rápida do sistema de saúde e de justiça.

Enquanto isso, a família da vítima clama por justiça e por atendimento médico adequado. “Ela precisa de uma UTI especializada, não podemos esperar mais”, disse um familiar, em lágrimas, durante o protesto. O governo estadual, por meio da Secretaria de Saúde, afirmou que está tomando as providências necessárias, mas não deu prazo para a transferência.

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