A Prefeitura de Maceió determinou o afastamento cautelar de um conselheiro tutelar após denúncia formal de violência sexual contra um adolescente, conforme apurado pelo Repórter Maceió. A medida, anunciada nesta semana, busca garantir a integridade da vítima e assegurar a imparcialidade das investigações em curso, que correm sob sigilo. O caso, que envolve um agente público diretamente ligado à proteção de crianças e adolescentes, gerou comoção e acendeu alertas sobre a necessidade de rigor na conduta de profissionais do sistema de garantia de direitos.
A denúncia foi protocolada junto ao Conselho Tutelar e encaminhada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, que instaurou procedimento administrativo disciplinar. O afastamento, de caráter preventivo, visa evitar qualquer interferência no andamento das apurações e proteger o adolescente de possíveis represálias. A Prefeitura de Maceió, em nota, afirmou que “repudia veementemente qualquer ato de violência, especialmente contra crianças e adolescentes, e adotará todas as medidas cabíveis, tanto na esfera administrativa quanto na criminal”.
Panorama político e social
O episódio ocorre em um contexto de crescente debate sobre a eficácia dos órgãos de proteção à infância no Brasil. Dados do Disque 100 indicam que, em 2024, Alagoas registrou mais de 2 mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes, com Maceió concentrando cerca de 40% dos casos. A situação expõe a necessidade de fortalecimento dos conselhos tutelares, que muitas vezes atuam com recursos limitados e enfrentam desafios na fiscalização de seus próprios membros.
O afastamento do conselheiro tutelar também reacende o debate sobre a responsabilização de agentes públicos. Especialistas em direitos humanos ouvidos pelo Repórter Maceió destacam que a medida é um passo importante, mas insuficiente sem uma investigação célere e transparente. “A sociedade precisa confiar que os órgãos de proteção funcionam. Quando um agente é acusado de um crime tão grave, a resposta institucional deve ser rápida e exemplar”, afirmou Maria do Socorro Silva, advogada e ativista da Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente.
O caso também levanta questionamentos sobre os critérios de seleção e capacitação dos conselheiros tutelares. Em Maceió, o último processo de escolha, realizado em 2023, foi marcado por denúncias de irregularidades e baixa adesão popular. Ouvidoria do Município informou que recebeu, nos últimos seis meses, ao menos 12 reclamações sobre a conduta de conselheiros, incluindo casos de negligência e abuso de poder.
A Polícia Civil de Alagoas abriu inquérito para investigar a denúncia de violência sexual. O conselheiro afastado, cujo nome não foi divulgado, poderá responder por crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com pena que pode chegar a 15 anos de reclusão. A Prefeitura de Maceió, por sua vez, prometeu revisar os protocolos de atuação dos conselhos tutelares e ampliar a fiscalização sobre os agentes.
O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) também se manifestou, classificando o caso como “grave e inaceitável”. Em nota, o órgão afirmou que acompanhará as investigações e cobrará a aplicação de sanções exemplares. “Não podemos permitir que aqueles que deveriam proteger se tornem agressores. A confiança no sistema está em jogo”, declarou a presidente do CMDCA, Ana Paula Oliveira.
Enquanto as investigações prosseguem, o adolescente vítima da violência recebe acompanhamento psicológico e social por meio da Rede de Apoio à Criança e ao Adolescente. A Prefeitura de Maceió assegurou que a identidade da vítima será preservada e que todas as medidas necessárias para sua proteção serão adotadas.
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