Operação Ad Phishing: PF desmantela esquema que usava identidade visual do governo para aplicar golpes em quatro estados

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (26), a Operação Ad Phishing contra um grupo suspeito de utilizar a identidade visual de órgãos federais para aplicar golpes por meio de anúncios fraudulentos na internet. A investigação, que abrange quatro estados, apura um esquema que se aproveitava da credibilidade de instituições públicas para enganar cidadãos e desviar recursos financeiros, em um contexto de aumento expressivo de crimes cibernéticos no Brasil.

De acordo com a PF, o grupo criminoso criava anúncios patrocinados em plataformas digitais que simulavam páginas oficiais de órgãos como Receita Federal, INSS e Ministério da Economia. As vítimas, ao clicarem nos links, eram direcionadas a sites falsos que coletavam dados pessoais e bancários, resultando em prejuízos financeiros. A operação mobilizou cerca de 50 policiais federais para cumprir 12 mandados de busca e apreensão em endereços nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal.

Esquema sofisticado e impacto social

As investigações, iniciadas há seis meses, revelaram que o grupo operava de forma estruturada, com divisão de tarefas que incluía criação de sites, gestão de anúncios e lavagem de dinheiro. Estima-se que o esquema tenha movimentado mais de R$ 5 milhões nos últimos dois anos, afetando centenas de vítimas em todo o país. A PF informou que os golpistas utilizavam técnicas de engenharia social para tornar os anúncios mais convincentes, como a reprodução exata de logotipos e selos governamentais.

O panorama político e social reforça a gravidade do caso. O Brasil registrou um aumento de 40% nos crimes cibernéticos em 2025, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A ação da PF ocorre em um momento em que o governo federal intensifica campanhas de conscientização sobre golpes digitais, mas a sofisticação das fraudes exige respostas rápidas das autoridades. A Operação Ad Phishing é um desdobramento de investigações anteriores que já haviam identificado o uso indevido da imagem de órgãos públicos em anúncios online.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam computadores, celulares, documentos e valores em espécie. A PF também bloqueou contas bancárias e ativos financeiros dos suspeitos, que poderão responder por crimes como estelionato qualificado, falsificação de documento público e organização criminosa. As penas somadas podem chegar a 15 anos de prisão.

A operação desta quinta-feira é mais um capítulo na luta contra a criminalidade digital no país. Em abril, a PF já havia deflagrado a Operação Phishing Guard, que desarticulou um esquema semelhante no Nordeste. A escalada de golpes que usam a imagem do governo preocupa especialistas, que alertam para a necessidade de maior regulação de anúncios online e de educação digital da população. O Ministério da Justiça anunciou que vai propor um projeto de lei para endurecer as penas para crimes cibernéticos, em tramitação no Congresso Nacional.

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