Em reunião com representantes das centrais sindicais nesta quarta-feira (1º), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), defendeu o fim do período de transição previsto na proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 e prevê uma redução na jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A medida, aprovada pela Câmara dos Deputados no final do mês de maio, estabelece que o fim da escala 6×1, com garantia de ao menos duas folgas semanais, preferencialmente aos domingos, entrará em vigor 60 dias após a promulgação da PEC. No entanto, Alcolumbre está discutindo com sua assessoria legislativa a possibilidade de uma emenda de redação para que a redução da jornada e o fim da escala 6×1 passem a valer imediatamente após a promulgação do texto, eliminando o período de adaptação.
O período de transição foi o principal ponto de discussão da PEC nas últimas semanas. Empresários e confederações de empregadores pediam um tempo para se adequar à medida, enquanto o governo, a princípio, se colocou contra a transição, mas chegou a um acordo para permitir a implantação gradativa da redução da jornada. A posição de Alcolumbre, ao defender o fim da transição, alinha-se com a demanda inicial do governo, mas contrasta com o acordo firmado anteriormente, gerando novas incertezas sobre o cronograma de implementação.
Tensão política e críticas ao governo
Em outra frente, Alcolumbre reforçou aos representantes das centrais sindicais que a matéria não terá uma tramitação acelerada no Senado. O calendário para deliberação da PEC será definido em um acordo com a nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), o senador Paulo Paim (PT-RS), autor de uma PEC semelhante, e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA). Aprovado em maio na Câmara, a PEC ainda não foi despachada para a CCJ por Alcolumbre, o que desagradou ministros e parlamentares governistas. No encontro, Alcolumbre externou sua insatisfação com as críticas feitas pelo governo, principalmente pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, que disse que ele está “errando feio” e “brincando com fogo” ao não acelerar a tramitação da PEC. Na reunião, o presidente do Senado disse que considerou a fala uma ameaça, garantiu que a PEC irá avançar, mas que o Senado terá o tempo necessário para debater a proposta.
Reação das centrais sindicais e panorama político
Representantes das centrais sindicais avaliaram de forma positiva a reunião com o presidente do Senado. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, afirmou que houve convergência sobre a importância da proposta. “Tivemos uma conversa muito positiva sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas sem redução salarial. Saímos com a avaliação de que o tema deve avançar com seriedade no Senado”, afirmou. Nobre também citou apoio popular à medida e afirmou que as centrais esperam uma tramitação rápida da proposta. A disputa pela sucessão no Congresso e as eleições de 2026 travam pautas do governo e acirram a tensão entre Motta e Alcolumbre, conforme reportagem do portal República do Povo. A PEC do fim da escala 6×1 pode encarecer hora extra em até 30%, aponta relatório, enquanto o silêncio de Alcolumbre sobre a PEC 6×1 trava a tramitação no Senado, com a oposição apresentando proposta alternativa. A pressão nas redes e o embate no Senado mostram que Alcolumbre resiste a acelerar a votação da PEC 6×1, em meio a uma semana decisiva com pressão de líderes partidários.
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