Oito dias após os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela em 24 de junho, com apenas um minuto de diferença, o país enfrenta uma crise humanitária sem precedentes: 2.295 mortes foram confirmadas, 250 edifícios sofreram graves danos ou desabaram, e equipes internacionais de resgate ainda buscam sobreviventes sob os escombros. A pergunta que ecoa entre as famílias e as autoridades é: quanto tempo uma pessoa pode sobreviver presa sob os escombros? A resposta, segundo especialistas ouvidos pela BBC, depende de múltiplos fatores, como a posição da vítima, acesso a ar e água, clima, condições meteorológicas e estado físico. A maioria dos resgates ocorre nas primeiras 24 horas, mas há casos impressionantes de sobrevivência após dias, como o de uma criança de 3 anos resgatada na terça-feira (30 de junho).
O segundo terremoto, de magnitude 7,5, foi o mais forte a atingir o país desde 1900, segundo registros históricos. A tragédia expõe a fragilidade da infraestrutura venezuelana e a necessidade de preparo para desastres naturais, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) já alerta para risco de colapso sanitário e epidemias, conforme noticiado pelo portal República do Povo em matéria anterior.
Fatores que determinam a sobrevivência
Especialistas consultados pela BBC explicam que a sobrevivência sob escombros não é aleatória. O coordenador da Akut (Associação Turca de Busca e Resgate), Murat Harun Ongoren, destaca que a posição de ‘abaixar-se, proteger-se e segurar-se’ pode criar um espaço de sobrevivência, uma bolsa de ar, essencial para quem está preso. A orientação consiste em ajoelhar ou se agachar no chão, se abrigar debaixo de uma mesa ou outro móvel resistente e ficar nessa posição até que os tremores parem. Além disso, o acesso ao ar e à água, o grau de lesões, o clima e a força mental são fatores críticos.
As Nações Unidas costumam encerrar as operações de busca e resgate entre cinco e sete dias após uma catástrofe, quando nenhuma pessoa é encontrada com vida por um ou dois dias consecutivos. No entanto, histórias de sobrevivência prolongada, como a do resgate de Abdulalim Muaini na província de Hatay, na Turquia, em 2023, mostram que a resiliência humana pode superar as expectativas. Na Venezuela, equipes internacionais enfrentam desafios logísticos e climáticos, enquanto relatos de resgates improvisados são comuns, como descrito em matéria do República do Povo.
Panorama político e social
A tragédia na Venezuela ocorre em meio a um cenário político conturbado, com o governo de Nicolás Maduro enfrentando pressão internacional por transparência nas operações de resgate e na gestão da crise. A falta de infraestrutura adequada e a escassez de recursos agravam a situação, enquanto a oposição cobra medidas mais eficazes. Enquanto isso, no Brasil, debates sobre reformas trabalhistas, como o fim da escala 6×1, ganham força, conforme abordado em matéria do República do Povo, mas a solidariedade internacional se volta para a Venezuela, onde a luta pela vida sob os escombros continua.
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