A Polícia Federal (PF) abriu investigação sobre contratos emergenciais no valor de R$ 18,5 milhões firmados para a construção do Hospital da Criança, em Alagoas, obra considerada vitrine dos governos de Renan Filho (MDB) e Paulo Dantas (MDB). A apuração, revelada em reportagem exclusiva do Francês News, aponta que a cúpula da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) participou diretamente dos procedimentos administrativos que resultaram nas contratações, agora sob suspeita de irregularidades.
Os contratos, firmados em caráter emergencial, somam exatos R$ 18.500.000,00 e foram alvo de análise minuciosa por parte da PF, que busca esclarecer se houve direcionamento, superfaturamento ou outras práticas ilícitas. A obra do Hospital da Criança, localizada em Maceió, foi inaugurada em 2022 como um dos principais legados da gestão de Renan Filho e continuou sendo destaque na administração de Paulo Dantas, que sucedeu o ex-governador após sua renúncia para disputar o Senado.
Panorama político e desdobramentos
A investigação ocorre em um momento de forte tensão política em Alagoas, onde as gestões do MDB têm sido alvo de escrutínio crescente. O Hospital da Criança, que atende pacientes de todo o estado, foi apresentado como símbolo de modernização da saúde pública, mas agora enfrenta questionamentos sobre a lisura de seus processos de contratação. A PF, que já conduz outras apurações sobre contratos públicos no estado, amplia o foco para incluir a Sesau, cujos dirigentes são citados nominalmente nos documentos analisados.
De acordo com a reportagem do Francês News, a análise dos contratos emergenciais revela que os procedimentos administrativos foram conduzidos por integrantes do alto escalão da secretaria, o que levanta suspeitas sobre a transparência e a legalidade das dispensas de licitação. A legislação brasileira permite contratações emergenciais em situações de risco iminente, mas exige justificativa robusta e comprovação de necessidade urgente — pontos que agora são questionados pela PF.
O caso ganha relevância nacional por envolver figuras políticas de peso, como Renan Filho, atualmente senador, e Paulo Dantas, que tenta se consolidar no comando do estado. Ambos negam qualquer irregularidade e afirmam que a obra seguiu todos os trâmites legais. No entanto, a investigação da PF pode ter desdobramentos que impactem a imagem das gestões e a confiança da população nos serviços públicos de saúde.
Até o momento, a Sesau não se pronunciou oficialmente sobre o conteúdo da reportagem, mas fontes internas indicam que a secretaria está colaborando com as autoridades. A PF, por sua vez, mantém sigilo sobre os próximos passos, mas já sinalizou que pode convocar testemunhas e requisitar documentos adicionais para aprofundar as apurações.
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